terça-feira, 27 de outubro de 2015

SÍNODO SOBRE A FAMÍLIA - VATICANO APRESENTA RELATÓRIO FINAL DO SÍNODO DOS BISPOS


Vaticano apresenta Relatório final do Sínodo dos Bispos

“Reunidos no Sínodo em torno do papa Francisco, agradecemos-lhe por nos ter convocado para refletir, sob a sua orientação, sobre a vocação e a missão da família hoje. Oferecemos-lhe o fruto do nosso trabalho com humildade, na consciência dos limites que ele apresenta”, expressaram os padres sinodais na introdução do relatório final da 14ª Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre a Família.
O texto foi aprovado no sábado, 24 de outubro. O Relatório é composto por 94 parágrafos e pode ser lido na versão final em italiano
Durante quase vinte dias reunidos, os padres sinodais refletiram sobre “A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo”.
Reflexões
Entre os temas presentes no Relatório, foram abordados a indissolubilidade matrimonial; pessoas homossexuais e uniões homossexuais; migrantes e refugiados; valorização da mulher; crianças e idosos; fanatismo; individualismo; pobreza; precariedade no trabalho; preparação ao matrimônio.
O Relatório sublinha a beleza da família, Igreja doméstica baseada no casamento entre homem e mulher, “porto seguro dos sentimentos mais profundos, único ponto de conexão numa época fragmentada, parte integrante da ecologia humana. Deve ser protegida, apoiada e encorajada”.
No item 94, os padres sinodais apresentam a conclusão das reflexões do Sínodo, com pedido ao padre Francisco para que avalie a possibilidade de publicação de um documento final sobre a família.
“No decurso desta Assembleia, nós, Padres sinodais, reunidos em torno do Papa Francisco, experimentamos a ternura e a oração de toda a Igreja, caminhamos como os discípulos de Emaús e reconhecemos a presença de Cristo no partir do pão na mesa eucarística, na comunhão fraterna, na partilha das experiências pastorais. Esperamos que o fruto deste trabalho, agora entregue nas mãos do Sucessor de Pedro, dê esperança e alegria para tantas famílias no mundo, orientação aos pastores e aos agentes pastorais, e estímulo à obra de evangelização. Concluindo este Relatório, pedimos humildemente que o Santo Padre avalie a possibilidade de oferecer um documento sobre a família, para que nela, Igreja doméstica, resplandeça cada vez mais Cristo, luz do mundo”, expressam os membros do Sínodo.
CNBB com informações e foto da Rádio Vaticano. 


LEITURA ORANTE 27.10.15


+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas 13,18-21
Naquele tempo: 
18Jesus dizia: 
'A que é semelhante o Reino de Deus, 
e com que poderei compará-lo? 
19Ele é como a semente de mostarda, 
que um homem pega e atira no seu jardim. 
A semente cresce, torna-se uma grande árvore, 
e as aves do céu fazem ninhos nos seus ramos.' 
20Jesus disse ainda: 
'Com que poderei ainda comparar o Reino de Deus? 
21Ele é como o fermento que uma mulher pega 
e mistura com três porções de farinha, 
até que tudo fique fermentado.' 
Palavra da Salvação. 
Nesse trecho do evangelho de são Lucas nos encontramos com as parábolas sobre o Reino de Deus. Sempre que escutamos esse tema parece que surge uma pergunta em nosso coração, quando o reino de Deus se efetivará mesmo em nossas comunidades? De que forma? Como ele acontecerá? E diante desses questionamentos uma só é a certeza da nossa vida, ou seja, a medida que formos capazes de viver os valores do evangelho, especialmente na vida comunitária assim o Reino estará acontecendo.
Muito bonito a forma como Jesus descreve a realização desse reino, não de forma ostensiva, não de forma grandiosa, mas especialmente nas coisas pequenas, na simplicidade de uma vida doada em comunidade. Esse reino é comparado por Jesus como uma semente pequena que pode se tornar uma árvore grandiosa – das pequenas ações se pode gerar grandes frutos na vivência dos valores evangélicos; Jesus também compara o reino como o fermento – a necessidade de sermos a diferença nesse desafiador contexto de mundo em que estamos inseridos.
Duas parábolas concisas, comparações sem armações narrativas, ilustram o dinamismo do reinado de Deus e do anuncio da boa notícia. A primeira parábola se exalta como uma imagem do cedro magnifico, no qual, a sombra de suas ramagens, aninham as aves. A segunda parábola é doméstica, não conta a quantidade de matéria, mas a energia. As duas parábolas oferecem uma mensagem de paciência e esperança. 




segunda-feira, 26 de outubro de 2015

LEITURA ORANTE 26.10.15


+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas 13,10-17
Naquele tempo: 
10Jesus estava ensinando numa sinagoga, em dia de sábado. 
11Havia aí uma mulher que, fazia dezoito anos, 
estava com um espírito que a tornava doente. 
Era encurvada e incapaz de se endireitar. 
12Vendo-a, Jesus chamou-a e lhe disse: 
'Mulher, estás livre da tua doença.' 
13Jesus colocou as mãos sobre ela, 
e imediatamente a mulher se endireitou, 
e começou a louvar a Deus. 
14O chefe da sinagoga ficou furioso, 
porque Jesus tinha feito uma cura em dia de sábado. 
E, tomando a palavra, começou a dizer à multidão: 
'Existem seis dias para trabalhar. 
Vinde, então, nesses dias para serdes curados, 
mas não em dia de sábado.' 
15O Senhor lhe respondeu: 
'Hipócritas! Cada um de vós 
não solta do curral o boi ou o jumento, 
para dar-lhe de beber, mesmo que seja dia de sábado? 
16Esta filha de Abraão, 
que Satanás amarrou durante dezoito anos, 
não deveria ser libertada dessa prisão, 
em dia de sábado?' 
17Esta resposta envergonhou todos os inimigos de Jesus. 
E a multidão inteira se alegrava 
com as maravilhas que ele fazia. 
Palavra da Salvação. 
A cena do evangelho de hoje nos coloca diante de mais um embate de Jesus com os seus adversários, no caso de hoje o chefe da sinagoga. O tempo de Jesus não é só de admoestação, mas também de salvação. Depois de dezoito anos, chega o momento, precisamente um sábado e numa sinagoga, aos olhos de todos. O drama vivido pela mulher que Jesus chama de “filha de Abraão” pode simbolizar todo o povo que se encontra sob o domínio como de um espírito mau. Anda toda encurvada sem poder erguer os olhos aos céus. Nesse contexto devemos perguntar: Quem pode mais, a lei que proíbe no sábado ou Jesus que vem curar os doentes? A objeção do chefe da sinagoga soa razoável e encontra apoio na lei. Jesus chama isso de legalismo hipócrita. No contexto do evangelho de hoje a ação de Jesus está causando aquilo que já fora dito antes no capítulo 12 desse mesmo evangelho, a saber, divisão.
Atualizando essa palavra nos dias de hoje temos uma situação mais ou menos parecida com a cena do evangelho do tempo de Jesus.

Quando o valor material está em jogo em uma determinada situação, ninguém duvida sobre a necessidade de uma ação, pois tudo é permitido para evitar a perda material. Mas quando o valor é a pessoa humana, tudo é muito complicado. Não se pode agir por uma série de motivos como proibições legais, necessidade de uma melhor organização, haverá melhores oportunidades, não é assim que se fazem as coisas e uma série de outros argumentos. Tudo isso nos mostra que nos nossos tempos, os valores não são diferentes dos do tempo de Jesus. Nos mostra também que não vivemos plenamente o Evangelho, pois amamos mais o dinheiro do que os nossos irmãos e irmãs.  

domingo, 25 de outubro de 2015

O MUNDO PEDE SOCORRO


O mundo pede socorro
A impressão reinante no país é de pedido de socorro. Parece que muita coisa está estrangulada, mal conduzida e sem direção. Basta observar como o povo está desorientado, sem esperança e se vendo como falido. Isso significa realidade de improdutividade, sem força para enfrentar os desafios da vida. É apenas no Brasil, ou o mundo todo caminha mergulhado na mesma situação?
A história registra uma sociedade que confiava mais em Deus e não se abatia diante dos impasses que iam surgindo. Isto é menos visível hoje e as preocupações estão muito concentradas na pessoa, no indivíduo, causando o individualismo dos últimos tempos, descartando a presença libertadora de Deus. Parece que ser cristão é ser desconectado com a mentalidade dominante.
O mundo não consegue entender que tipo de Messias é Jesus e não se deixa envolver pela prática da vida cristã. Chegam a dizer que a Bíblia é manipuladora e tira a liberdade das pessoas. Até chamam a Igreja, desonestamente, de “quadrada”, que ficou na história, prestando um péssimo trabalho para a humanidade. Pelo menos o passado não era tão superficial como hoje.
Existe uma cegueira tirando das pessoas a capacidade de olhar positivamente para o mundo. Ficar centrado na ambição de fama e de domínio significa estar cego, estar incapaz de perceber que a realização humana não depende apenas do indivíduo. Não é fácil libertar-se das ideologias dominantes e triunfalistas.
A maldade do mundo cega a vida as pessoas. Por isto, em várias circunstâncias, é preciso mudar de mentalidade para conseguir enxergar as possibilidades que permitam a construção de uma realidade nova e sadia. É quase que como dar um grito de pedido de socorro, que passa pelas decisões coerentes e pessoais.
O grito de socorro é por liberdade e paz. Disto ninguém fica de fora, nem quem caminha totalmente protegido por seguranças, porque a questão não se limita ao âmbito físico e humano. A sociedade está carente de uma segurança sobrenatural, de apoio em Deus, que supera toda força ideológica de hoje.
Por Dom Paulo Mendes Peixoto – Arcebispo de Uberaba (MG)


REFLEXÃO PARA O 30º DOMINGO DO TEMPO COMUM


REFLEXÃO PARA O 30º DOMINGO DO TEMPO COMUM
PRIMEIRA LEITURA (Jr 31,7-9) Jeremias. Isto diz o Senhor: “Exultai de alegria, cantai e dizei: ‘Salva, Senhor, teu povo, o resto de Israel’. Eis que eu os trarei e os reunirei desde as extremidades da terra; entre eles há cegos e aleijados, mulheres grávidas e parturientes: São uma grande multidão os que retornam. Eles chegarão entre lágrimas e eu os receberei entre preces; eu os conduzirei por torrentes d’água, por um caminho reto onde não tropeçarão, pois tornei-me um pai para Israel, e Efraim é o meu primogênito”.
AMBIENTE – A mensagem poderia situar-se na primeira fase de Jeremias (reinado de Josias) e dirigir-se-ia aos israelitas do Reino do Norte que estava sob o domínio assírio. Para outros, será da época de Sedecias, entre a primeira e a segunda deportação do Povo para a Babilônia (597-586 a.C.). Jeremias começa a refletir sobre um tempo novo que Deus irá oferecer ao seu Povo uma nova Aliança.
MENSAGEM – É convite à alegria e ao louvor. Jahwéh vai reunir o seu Povo (disperso na Assíria, Na Babilónia?), vai conduzi-lo através do deserto e vai fazê-lo retornar à sua pátria. Deste Novo Êxodo farão parte "o cego e o coxo, a mulher grávida e a que deu à luz". O cego e o coxo relembram a situação de necessidade e de carência dos exilados. Na mulher grávida e na mulher que deu à luz, o profeta representa a dor e o sofrimento, mas também a fecundidade, a alegria, a esperança num futuro novo e cheio de vida.  Jahwéh apresenta-Se como um pai cheio de amor pelo seu filho/Povo. Esse amor irá traduzir-se no fim do Exílio e no regresso dos exilados à sua terra. Jahwéh vai oferecer ao seu Povo vida abundante e fecunda. Mesmo nos momentos mais dramáticos da histórica de Israel, quando o Povo parecia privado de luz e de liberdade (o "cego" e o "coxo"), Deus estava lá, preocupando-se em libertar o seu Povo e em conduzi-lo pela mão, com amor de pai, ao encontro da liberdade e da vida plena.
SEGUNDA LEITURA (Hb 5,1-6) Carta aos Hebreus. - Todo sumo sacerdote é tirado do meio dos homens e instituído em favor dos homens, para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados. Sabe ter compaixão, porque ele mesmo está cercado de fraqueza. Por isso, oferece sacrifícios tanto pelos pecados do povo, quanto pelos seus. Ninguém deve atribuir-se esta honra, senão o que foi chamado por Deus, como Aarão. Deste modo, também Cristo não se atribuiu a si mesmo a honra de ser sumo sacerdote, mas foi aquele que lhe disse: “Tu és o meu Filho, eu hoje te gerei”. Como diz em outra passagem: “Tu és sacerdote para sempre, na ordem de Melquisedec”.
AMBIENTE- Carta aos Hebreus – uma reflexão destinada a comunidades desanimadas. O objetivo é redescobrir o entusiasmo inicial com Cristo. O autor convida a apreciar o mistério de Cristo, o sacerdote por excelência, que o Pai enviou com a missão de integrar a comunidade do Povo sacerdotal (pelo batismo). O autor apresenta Jesus como o sacerdote fiel e misericordioso que o Pai enviou para mudar os corações dos homens e para os aproximar de Deus.
MENSAGEM - há três elementos à figura do sumo sacerdote. Em primeiro lugar, ele é um escolhido de Deus:
Em segundo lugar, é um homem tomado de entre os homens: a sua fragilidade que resulta da sua humanidade, tornam-no apto para compreender os erros e os pecados dos outros homens por quem intercede.
Em terceiro, o sumo-sacerdote tem uma função mediadora: “oferecer dons e sacrifícios pelos pecados”, e trazendo o perdão de Deus. Na Carta aos Hebreus, Jesus é o sumo-sacerdote por excelência. Em primeiro lugar, porque Ele foi chamado e destinado por Deus a esta missão; o fato de ser Filho de Deus dá ao seu sacerdócio uma dignidade e uma qualidade suprema; é íntimo com o Pai. Em segundo lugar, porque Ele foi homem, também. Ele experimentou a nossa fragilidade e tornou-Se capaz de entender as nossas fraquezas. A sua intimidade com o Pai e a sua humanidade tornam-no o perfeito mediador e intercessor. Ele veio ao nosso encontro, mostrou-nos o amor do Pai, convidou-nos a eliminar o egoísmo e o pecado que nos afastavam da comunhão com Deus, chamou-nos a integrar a família de Deus e ensinou-nos o que fazer para sermos filhos de Deus.
10. EVANGELHO (Mc 10,46-52) Marcos. Jesus saiu com seus discípulos e uma grande multidão. O filho de Timeu, Bartimeu, cego e mendigo, estava sentado à beira do caminho. Quando ouviu dizer que Jesus estava passando, começou a gritar: “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!” Muitos o repreendiam para que se calasse. Mas ele gritava mais ainda. Então Jesus parou e disse: “Chamai-o”. Eles o chamaram e disseram: “Coragem, levanta-te, Jesus te chama!” O cego jogou o manto, deu um pulo e foi até Jesus. Então Jesus lhe perguntou: “O que queres que eu te faça?” O cego respondeu: “Mestre, que eu veja!” Jesus disse: “Vai, a tua fé te curou”. No mesmo instante, ele recuperou a vista e seguia Jesus pelo caminho.
AMBIENTE - Bartimeu ("filho de Timeu"). Os "cegos" eram excluídos. A cegueira era considerada o resultado de um pecado grave. Os cegos não eram testemunhas e não entravam no Templo.
MENSAGEM - Marcos construiu uma catequese. O cego representa todos os pecadores, impuros, marginais, longe de Deus e da sua proposta de salvação.  O cego está sentado à beira do caminho, significa acomodação, conformismo. Ele está privado da luz e da liberdade e está conformado com a situação, sabendo que, por si só, é incapaz de sair dela. O pedir esmola indica escravidão e dependência.  Contudo, a passagem de Jesus dá ao cego a consciência da sua miséria. A passagem de Jesus na vida de alguém é sempre um momento de tomada de consciência, de questionamento, de desafio. Bartimeu está consciente da sua debilidade e sente que, sem a ajuda de Jesus, continuará na dependência, na escravidão. Por isso, pede: "Jesus, filho de David, tem misericórdia de mim". Bartimeu vê em Jesus esse Messias libertador que havia de vir para dar vida em plenitude ao Povo de Deus. Os discípulos repreendiam o cego e queriam fazê-lo calar. Quando alguém encontra Jesus encontra sempre resistências (familiares, amigos, colegas). Jesus parou e mandou chamar o cego. Os mediadores dizem-lhe: "coragem, levanta-te que Ele chama-te". Ou seja: deixa a tua miséria, escravidão e dependência, porque Jesus chama-te. O chamamento é sempre  a tornar-se discípulo, a seguir Jesus no caminho do amor e do dom da vida.
Em resposta, o cego atirou fora a capa, deu um salto e foi ter com Jesus. A capa é tudo o que um mendigo possui, a única coisa de que ele pode separar-se (outros deixaram o barco, as redes ou a banca onde recolhiam impostos). O deitar fora a capa significa, portanto, o deixar tudo o que se possui para ir ao encontro de Jesus. É um corte radical com o passado, a fim de começar uma vida nova ao lado de Jesus. Jesus perguntou ao cego: "que queres que te faça?". É a mesma pergunta que, pouco antes, Jesus fizera a João e Tiago (cf. Mc 10,36). A pergunta acentua, contudo, a diferença da resposta ... Os dois irmãos queriam sentar-se ao lado de Jesus e ver concretizados os seus sonhos de grandeza e de poder; o cego Bartimeu, ao contrário, cansado de estar sentado numa vida de escravidão e de cegueira, quer encontrar a luz para seguir Jesus. Jesus responde a Bartimeu: "vai, a tua fé te salvou". A fé é a adesão a Jesus e à sua proposta de salvação. Por isso, Marcos termina a sua história dizendo que o cego recuperou a vista e seguiu Jesus - isto é, fez-se discípulo. Bartimeu encontrou a salvação. Bartimeu representava os pecadores que viviam longe de Deus e à margem da salvação. Depois de encontrar Jesus, Bartimeu transforma-se e torna-se o protótipo do verdadeiro discípulo. É com Bartimeu que os discípulos de Jesus são convidados a identificar-se.




sábado, 24 de outubro de 2015

LEITURA ORANTE 24.10.15


+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 13,1-9
1Naquele tempo, vieram algumas pessoas
trazendo notícias a Jesus
a respeito dos galileus que Pilatos tinha matado,
misturando seu sangue com o dos sacrifícios que
ofereciam.
2Jesus lhes respondeu:
'Vós pensais que esses galileus eram mais pecadores
do que todos os outros galileus,
por terem sofrido tal coisa?
3Eu vos digo que não.
Mas se vós não vos converterdes,
ireis morrer todos do mesmo modo.
4E aqueles dezoito que morreram,
quando a torre de Siloé caiu sobre eles?
Pensais que eram mais culpados
do que todos os outros moradores de Jerusalém?
5Eu vos digo que não.
Mas, se não vos converterdes,
ireis morrer todos do mesmo modo.'
6E Jesus contou esta parábola:
'Certo homem tinha uma figueira
plantada na sua vinha.
Foi até ela procurar figos e não encontrou.
7Então disse ao vinhateiro:
'Já faz três anos que venho procurando figos nesta
figueira e nada encontro.
Corta-a! Por que está ela inutilizando a terra?'
8Ele, porém, respondeu:
'Senhor, deixa a figueira ainda este ano.
Vou cavar em volta dela e colocar adubo.
9Pode ser que venha a dar fruto.
Se não der, então tu a cortarás.'
Palavra da Salvação.
Metanoia e Paciência. Dois temos que marcam a passagem do evangelho de hoje. Explicando um pouco o sentido da primeira expressão, Metanoia é o termo grego que significa conversão em português. Um termo muito mais profundo do que simplesmente mudar alguns conceitos, é uma verdadeira mudança de direção. A outra palavra que marca esse evangelho é paciência, a paciência que Deus dispõe para com o ser humano.
Na passagem do evangelho de hoje não podemos nos esquecer de ontem, que na verdade é uma sequência. O convite de Jesus a saber reconhecer os sinais dos tempos, os sinais de Deus na nossa história humana e cotidiana. É próprio do tempo mudar, sendo próprio do cristão saber encontrar, à luz do evangelho, novas respostas para os desafios do tempo presente. E o tempo (o kairós – tempo de Deus) nos pede conversão, nos pede mudança de vida. Cada um de nós é chamado a no silêncio e na oração a procurar o que se deve mudar na sua caminhada.
As oportunidades Deus continua nos ofertando, assim como nos atesta a pequena parábola de Jesus no final do evangelho de hoje. Na paciência o intercessor ainda pede um tempo a mais para que a videira produza frutos. Não existe mais tempo, o tempo se esgotou, e tempo de recolhimento para mudança (Metanoia) de vida, é tempo de produzir frutos no teu contexto de vida.  
O Evangelho de hoje nos mostra que Deus tem paciência conosco e, por meio da sua graça, está sempre contribuindo para a nossa conversão e para a nossa santificação, mas é necessário que também nós procuremos fazer a nossa parte.


sexta-feira, 23 de outubro de 2015

SILÊNCIO E ORAÇÃO PARA ENTENDER OS SINAIS DOS TEMPOS


Papa indica silêncio e oração para entender sinais dos tempos
“Os tempos mudam e nós cristãos devemos mudar continuamente”, com liberdade e na verdade da fé. Foi o que afirmou o Papa Francisco, na Missa desta sexta-feira, 23, na Casa Santa Marta. O Santo Padre falou do discernimento que a Igreja deve ter, observando os ‘sinais dos tempos’, sem ceder à comodidade do conformismo, mas se deixando inspirar pela oração.
Os tempos fazem o que devem: mudam. Os cristãos devem fazer aquilo que Cristo quer: avaliar os tempos e mudar com ele, permanecendo ‘firmes da verdade do Evangelho’. O que não se admite é o tranquilo conformismo que, na prática, deixa as pessoas imóveis.
Sabedoria cristã
O Papa se inspirou no trecho da Carta de São Paulo aos Romanos, na qual ele prega com muita força a liberdade que salvou a humanidade do pecado. No Evangelho do dia, Jesus fala do sinal dos tempos, definindo hipócritas aqueles que sabem compreender o tempo, mas não fazem o mesmo com o tempo do Filho do Homem. Deus criou os homens livres, lembrou o Papa, e para ter esta liberdade é preciso abrir-se à força do Espírito Santo e ter discernimento.
“Temos esta liberdade de julgar o que acontece fora de nós, mas para julgar temos que saber bem o que ocorre fora de nós. E como se pode fazer isto? Como se pode fazer o que a Igreja chama ‘conhecer os sinais dos tempos’? Os tempos mudam; é justamente a sabedoria cristã a conhecer estas mudanças, conhecer os diferentes tempos e também os sinais dos tempos. O que significa uma coisa e a outra. Fazer isto sem medo, com liberdade”.
Silêncio, reflexão e oração
Francisco reconhece que essa não é uma tarefa fácil, pois são muitos os condicionamentos externos que pressionam também os cristãos e induzem muitos a um mais cômodo “não fazer”.
“Este é um trabalho que, com frequência, não fazemos: nos conformamos, nos tranquilizamos com ‘me disseram, ouvi, as pessoas dizem, eu li…’. Assim estamos tranquilos… Mas qual é a verdade? Qual é a mensagem que o Senhor quer me passar com este sinal dos tempos? Para entender os sinais dos tempos, antes de tudo é preciso o silêncio: silenciar e observar. E, em seguida, refletir dentro de nós. Um exemplo: por que existem tantas guerras hoje? Porque aconteceu algo? E rezar… Silêncio, reflexão e oração. Somente assim poderemos entender os sinais dos tempos, o que quer nos dizer Jesus”.
Livres na verdade do Evangelho
Entender os sinais dos tempos não é uma tarefa exclusiva de uma elite cultural. Jesus, recordou o Papa, não diz “vejam como fazem os universitários, como fazem os doutores, os intelectuais…”. Jesus fala aos camponeses que “em sua simplicidade” sabem “distinguir o joio do trigo”.
“Os tempos mudam e nós cristãos devemos mudar continuamente. Devemos mudar firmes na fé em Jesus Cristo, firmes na verdade do Evangelho, mas o nosso comportamento deve se mover continuamente de acordo com os sinais dos tempos. Somos livres. Somos livres pelo dom da liberdade que Jesus Cristo nos deu. Mas o nosso dever é olhar o que acontece dentro de nós, discernir os nossos sentimentos, os nossos pensamentos; e o que acontece fora de nós e discernir os sinais dos tempos. Com o silêncio, com a reflexão e com a oração”.
Fonte: Rádio Vaticano