quinta-feira, 5 de novembro de 2015

ESTAR COM CRISTO


Estar com Cristo
Eu vou falar de três pontos: um, dois, três, como faziam os antigos jesuítas... um, dois, três!
Antes de tudo, recomeçar com Cristo significa cultivar a familiaridade com Ele, ter esta familiaridade com Jesus: Jesus recomenda, com insistência, aos discípulos na Última Ceia, quando se prepara para viver do mais sublime amor, o sacrifício da cruz. Recorrendo à imagem da videira e dos ramos, Jesus diz: permanecei no meu amor, permanecei ligados a mim, como o ramo está ligado à videira. Se estivermos unidos à Ele, podemos dar fruto, e essa é a familiaridade com Cristo. É permanecer em Jesus! Permanecer ligados a Ele: permanecer em Jesus.  
1.                  A primeira coisa necessária para ser discípulo é estar com o Mestre, ouvi-Lo, aprender Dele. E isso é sempre válido, é um caminho que dura a vida inteira! Recordo que, na diocese (na outra diocese que tinha antes), via muitas vezes, no fim dos cursos de seminário catequético, os catequistas saírem dizendo: “tenho o título de catequistas!”. Isso não adianta, não tens nada, fizeste apenas um pedaço da estrada! Quem te ajudará? Isso, sim que vale sempre! Não um título, mas um procedimento: estar com Ele; dura toda a vida! É estar na presença do Senhor, deixar-se olhar por Ele. Pergunto-vos: Como estais na presença do Senhor? Quando ides ter com o Senhor, enquanto olhais o Sacrário, que fazeis? Sem palavras... Mas eu falo, falo, penso, medito, ouço... Muito bem! Mas tu... deixa-te olhar pelo Senhor? Sim, deixa-se olhar pelo Senhor. Ele olha-nos, e essa é a maneira de rezar. Deixa-te olhar pelo senhor? Mas, como se faz? Olha para o Sacrário e deixas-te olhar... É simples! É um pouco maçante, adormeço... Se adormeceres, adormeces! Ele te olhará igualmente, te olhará igualmente. Mas, teres a certeza de que Ele te olha é muito mais importante do que o título de catequista: faz parte do ser catequista. Isso inflama o coração, mantém aceso o fogo da amizade com o Senhor, te faz sentir que Ele verdadeiramente olha para ti, estar perto de ti e te ama. Numa das saídas que tive, aqui em Roma, por ocasião de uma missa, aproximou-se um Senhor, relativamente jovem, e me disse: “Padre, prazer em conhece-lo; mas eu não acredito em nada! “Não tenho o dom da fé!” Ele entendia que a fé era um dom. “Não tenho o dom da fé!” que me recomenda o Senhor?” não desanime! Deus te ama. Deixa-te olhar por Ele. E basta.” O mesmo vos digo: Deixai-vos olhar pelo Senhor! Compreendo que, para vós, não é tão simples: especialmente para quem é casado e tem filhos, é difícil encontrar um tempo longo de tranquilidade. Mas graças a Deus, não é necessário que todos façam da mesma maneira; na Igreja, há variedades de vocações e variedades de formas espirituais; o importante é encontrar o modo adequado para estar com o Senhor; e isso pode acontecer, é possível que em todos os estados de vida. Nesse momento, cada um pode interrogar-se: Como é que eu vivo este “estar” com o Senhor”? essa é uma pergunta que vos deixo: “como é que vivo esse estar com Jesus, esse permanecer com Jesus?”. Tenho momentos em que permaneço na sua presença, em silêncio, e me deixo olhar por Ele? Deixo que o seu fogo inflame meu coração? Se no nosso coração, não há o calor de Deus, do seu amor, de sua ternura, como podemos nós, pobres pecadores, inflamar o coração dos outros? Pensai nisso!
2.                  O segundo elemento é este – dois – recomeçar de Cristo significa imitá-Lo ao sair de Si mesmo para ir ao encontro do outro. Trata-se de uma experiência maravilhosa, embora um pouco paradoxal! Por que? Porque, quem coloca Cristo no centro da vida, descentraliza-se! Quanto mais te unes a Jesus e Ele se torna o centro da tua vida, tanto mais Ele te faz sair de ti mesmo, te descentraliza e abre aos outros. Esse é o verdadeiro dinamismo do amor, esse é o movimento do próprio Deus! Sem deixar de ser o centro, Deus é sempre dom de si, relação vida que se comunica... E assim nos tornamos também nós, se permanecermos unidos a Cristo, porque ele nos fez entrar nesse dinamismo do amor. Onde há uma verdadeira vida em Cristo, há abertura ao outro, saímos de nós mesmos para ir ao encontro do outro no nome do Cristo. E o trabalho do catequista é este: por amor, sair continuamente de si mesmo para testemunhar Jesus e falar de Jesus, anunciar Jesus. Isso é importante, porque é obra do Senhor: é precisamente o Senhor que nos impele a sair.  
O coração do catequista vive sempre este movimento de união com Jesus – encontro com o outro. Existe as duas coisas: eu me uno a Jesus e saio ao encontro dos outros. Se falta um desses dois movimentos, o coração deixa de bater, não pode viver. Recebe em dom o querigma e, por sua vez, o oferece em dom. importante essa palavrinha: dom! o catequista está consciente de que recebeu um dom: o dom da fé; e dela faz dom aos outros. Isso é maravilhoso! E não reserva uma porcentagem para si! Tudo aquilo que recebe, dá. Aqui não se trata de negócio! Não é um negócio! É puro dom: dom recebido e dom transmitido. E o catequista está ali, nessa encruzilhada de dom. isto está na própria natureza do querigma: é um dom que gera missão, que impele sempre para além de si mesmo. São Paulo dizia: “o amor de Cristo nos impele”; mas essa expressão “nos impele” também se pode traduzir por “nos possui”. É assim o amor: atrai e envia, toma e dá aos outros. É nessa tensão que se move o coração do cristão, especialmente o coração do catequista. Perguntemos todos: É assim que bate o meu coração de catequista: união com Jesus e encontro com o outro? Com esse movimento de união com Jesus e encontro com o outro? Alimenta-se na relação com Ele, mas para O levar aos outros e não para O reter? Eis o que vos digo: não compreendo como possa um catequista ficar parado, sem esse movimento. Não compreendo!
3.                  E o terceiro elemento – três – se situa também nessa linha: recomeçar de Cristo não significa ter medo de ir com Ele e para as periferias. Isso me traz a mente a história de Jonas, uma figura muito interessante, especialmente nos nossos tempos de mudanças e incertezas. Jonas é um homem piedoso, com uma vida tranquila e bem ordenada; isso o leva a ter bem claros os seus preconceitos e julgar rigidamente tudo e todos segundo os seus preceitos. Vê tudo claro, a verdade é essa. É rígido! Por isso, quando o Senhor o chama e diz para ir pregar à grande cidade pagã de Nínive, Jonas não quer ir lá! Mas eu tenho toda a verdade aqui” não quero ir... Nínive está fora dos seus conceitos, está na periferia de seu mundo. Então escapa, vai para a Espanha, foge, embarca num navio e vai para aqueles lados. Ide ler o Livro de Jonas! É breve, mas é uma parábola muito instrutiva, especialmente para nós que estamos na Igreja.
O que ele nos ensina? Ensina-nos a não ter medo de sair de nossos preconceitos para seguir a Deus, porque Deus sempre vai além. Sabeis uma coisa? Deus não tem medo! Sabeis disso! Não tem medo! Ultrapassa sempre os nossos esquemas! Deus não tem medo de periferias. Se fordes às periferias, o encontrareis lá. Deus é sempre fiel, é criativo. Mas, por favor, não se permita um catequista que não seja criativo. A criatividade é como a coluna de ser catequista. Deus é criativo, não se fecha, e por isso nunca é rígido. Deus não é rígido! Acolhe-nos, vem ao nosso encontro, compreende-nos. Para sermos fiéis, para sermos criativos, é preciso saber mudar. Saber mudar. E porque devo mudar? É para me adequar às circunstancias em que devo anunciar o Evangelho. Para permanecermos com Deus, é preciso saber sair, não ter medo de sair. Se um catequista se deixar tomar pelo medo, é um covarde; se um catequista se fecha tranquilo, acaba por ser uma estátua de museu: temos muitos! Temos muitos! Por favor, estátuas de museu, não! Se um catequista é rígido, se torna enrugado e estéril. Pergunto-vos: alguém de vós quer ser covarde, estátua de museu ou estéril? Algum de vós tem vontade de o ser? Não? Tem certeza? Está bem! Aquilo que vou dizer agora, já disse muitas vezes; mas sinto no coração o que deve dizer. Quando nós, cristãos, estamos fechados em nosso grupo, no nosso movimento, na nossa paróquia, no nosso ambiente, permanecemos fechados; e nos acontece o que sucede a tudo aquilo que está fechado: quando um quarto está fechado, começa a cheirar a mofo. E se uma pessoa está fechada naquele lugar, adoece! Quando um cristão está fechado no seu grupo, na sua paróquia, no seu movimento, está fechado, adoece. Se um cristão sai pelas estradas, vai às periferias, pode acontecer o mesmo que qualquer pessoa que anda na estrada: um acidente. Quantas vezes vimos acidentes nas estradas! Mas eu digo: prefiro mil vezes uma igreja acidentada a uma igreja doente! Prefiro uma igreja, um catequista que corra corajosamente o risco de sair, que um catequista que estude, saiba tudo, mas sempre fechado: este está doente. E as vezes está doente da cabeça...
Atenção, porém! Jesus não diz: Ide arranjai-vos. Não, não diz isso! Jesus diz: Ide, Eu estou convosco! Nisso está o nosso encanto a nossa força: se formos, se sairmos para levar o seu Evangelho com amor, com verdadeiro espírito apostólico, com franqueza, Ele caminha conosco, nos precede – digo em espanhol – nos primereia. O Senhor sempre nos premerea! Decerto já aprendeste o significado dessa palavra! E isso é a Bíblia que diz, não eu. A Bíblia diz, ou melhor, o Senhor diz na Bíblia: eu sou como a flor da emendoeira. Por que? Porque é a primeira flor que desabrocha na primavera. Ele é sempre o primeiro! Para nós isso é fundamental: Deus sempre nos precede! Quando pensamos que temos de ir longe, para uma periferia externa, talvez nos assalte um pouco de medo, mas na realidade, ele já está lá: Jesus nos espera no coração daquele irmão, na sua carne ferida, na sua vida oprimida, na sua alma sem fé. Vós sabeis de uma das periferias que me faz tão mal, que me faz doer? Senti na diocese que tinha antes. É a das crianças que não sabem fazer o sinal da cruz. Em Buenos Aires, há muitas crianças que não sabem fazer o sinal da cruz. Essa é uma periferia! É preciso ir lá! E Jesus está lá, esperando por ti para ajudares aquela criança a fazer o sinal da cruz. Ele sempre nos precede.
Amados catequistas, acabam-se os três pontos. Recomeçar sempre de Cristo! Agradeço-vos pelo que fazeis, mas, sobretudo, porque estais na Igreja, povo de Deus em caminho, porque caminhais com o povo de Deus. Permaneçamos com Cristo – permanecer em Cristo – procuremos cada vez mais ser um só com Ele; sigamo-Lo, imitemos o seu movimento de amor, o seu sair ao encontro do homem, e saiamos, abramos as portas, tenhamos a audácia de traçar estradas novas para o anúncio do Evangelho.  
   
[Papa Francisco. A Igreja da misericórdia].   


quarta-feira, 4 de novembro de 2015

LEITURA ORANTE 04.11.15


+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 14,25-33
Naquele tempo:
25Grandes multidões acompanhavam Jesus.
Voltando-se, ele lhes disse:
26'Se alguém vem a mim, mas não se desapega
de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos,
seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida,
não pode ser meu discípulo.
27Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim,
não pode ser meu discípulo.
28Com efeito: qual de vós, querendo construir uma torre,
não se senta primeiro e calcula os gastos,
para ver se tem o suficiente para terminar?
Caso contrário,
29ele vai lançar o alicerce e não será capaz de acabar.
E todos os que virem isso começarão a caçoar, dizendo:
30'Este homem começou a construir
e não foi capaz de acabar!'
31Ou ainda:
Qual o rei que ao sair para guerrear com outro,
não se senta primeiro e examina bem
se com dez mil homens poderá enfrentar o outro
que marcha contra ele com vinte mil?
32Se ele vê que não pode,
enquanto o outro rei ainda está longe,
envia mensageiros para negociar as condições de paz.
33Do mesmo modo, portanto, qualquer um de vós,
se não renunciar a tudo o que tem,
não pode ser meu discípulo!'
Palavra da Salvação.
O evangelho de hoje fala de duas realidades de enorme significado na vida do discípulo e discípula de hoje. A primeira realidade diz respeito ao desapego para seguir Jesus, a segunda fala da “negociação de paz” com o inimigo para seguir em frente na caminhada (muito significativa essa expressão). Vamos conversar um pouco sobre estas duas realidades que se juntam num mesmo significado.
O início do evangelho que segue a trilha do evangelho de ontem insiste na resposta positiva que o ser humano deve prestar a Deus. Para recordar, ouvíamos ontem a parábola de Jesus sobre a festa preparada para os convidados que negligenciavam o convite do rei apresentando inúmeras desculpas. No evangelho de hoje a trilha de reflexão é a mesma, o convite a se desapegar dos elementos da vida que impedem uma adesão livre e irrestrita a pessoa de Jesus. Conforme dizia ontem, esse encontro é a síntese da felicidade do ser humano, que de forma demasiada busca felicidade não sabendo bem o que procura, nem onde procura.
Frequentemente temos medo da novidade, incluindo a novidade que Deus nos traz, a novidade que Deus nos pede. Fazemos como os apóstolos, no evangelho: muitas vezes preferimos manter as nossas seguranças, ficamos presos a certas seguranças aparentes em nossa vida. Tememos as surpresas de Deus. Queridos irmãos e irmãs, na nossa vida, temos medo das surpresas de Deus! Ele não cessa de nos surpreender! O Senhor é assim.
Um segundo ponto muito significativo nesse evangelho de hoje é “negociação de paz” com o inimigo para seguir em frente na caminhada. Refletindo sobre esse tema o Pe. Domingos Cunha da comunidade Shlalon de Portugal, especialmente nos retiros de personalidade a partir do eneagrama afirma: “A parábola do rei que devia negociar com o rei inimigo é a parábola do nosso EU PESSOAL que se nega a renunciar o que tem de aparentemente mais precioso, a saber, seu orgulho, que se nega a renunciar aos seus preceitos de segurança para entrar em negociação com o outro”.
Continua o Padre “o rei que tinha 10 mil homens e que negociou a paz com o rei que tinha 20 mil homens agora tem não mais 10 mil, mas sim 30 mil homens. Ele foi capaz de fazer alianças, ele foi capaz de negociar, ele foi capaz de renunciar ao seu orgulho para continuar a caminhada.
Portanto, meus queridos irmãos e irmãs, o evangelho de hoje nos afirma a grande importância da renúncia para a caminhada de seguimento a Cristo. Renúncia de coisas externas nas quais somos apegados, renúncia de coisas internas que nos aprisiona ainda mais.

Um dia muito abençoado na paz de Deus Trindade Santa.    

terça-feira, 3 de novembro de 2015

"VINDE TODOS COMER DO MANJAR"

NOTÍCIAS: PAPA FRANCISCO VISITARÁ O MÉXICO EM FEVEREIRO DE 2016


O papa no México em 12 de fevereiro de 2016: confirmação do cardeal Rivera

O arcebispo de Cidade do México, cardeal Norberto Rivera, anunciou de surpresa neste dia de finados que o papa Francisco vai chegar à capital mexicana na tarde de sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016.
A peregrinação já tinha sido confirmada pelo porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, em entrevista à Televisa no dia 6 de outubro. Por enquanto, o cardeal Rivera confirmou apenas a visita de Francisco ao santuário de Nossa Senhora de Guadalupe.
A imprensa local especula que o papa poderia ficar no país pouco menos de uma semana e visitaria outras cidades, como Ciudad Juarez, na fronteira com os Estados Unidos. Esta visita já foi anunciada e confirmada pelo arcebispo dom Constancio Miranda Weckmann.

Esta será a quarta peregrinação do papa Francisco à América Latina.

LEITURA ORANTE 03.11.15



+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas 14,15-24
Naquele tempo: 
15Um homem que estava à mesa, 
disse a Jesus: 
'Feliz aquele que come o pão no Reino de Deus!' 
16Jesus respondeu: 
'Um homem deu um grande banquete 
e convidou muitas pessoas. 
17Na hora do banquete, mandou seu empregado 
dizer aos convidados: 
'Vinde, pois tudo está pronto'. 
18Mas todos, um a um, começaram a dar desculpas. 
O primeiro disse: 
'Comprei um campo, e preciso ir vê-lo. 
Peço-te que aceites minhas desculpas'. 
19Um outro disse: 
'Comprei cinco juntas de bois, e vou experimentá-las. 
Peço-te que aceites minhas desculpas'. 
20Um terceiro disse: 
'Acabo de me casar e, por isso, não posso ir'. 
21O empregado voltou e contou tudo ao patrão. 
Então o dono da casa ficou muito zangado 
e disse ao empregado: 
'Sai depressa pelas praças e ruas da cidade. 
Traze para cá os pobres, 
os aleijados, os cegos e os coxos'. 
22O empregado disse: 
'Senhor, o que tu mandaste fazer foi feito, 
e ainda há lugar'. 
23O patrão disse ao empregado: 
'Sai pelas estradas e atalhos, 
e obriga as pessoas a virem aqui, 
para que minha casa fique cheia. 
24Pois eu vos digo: 
nenhum daqueles que foram convidados 
provará do meu banquete.' 
Palavra da Salvação. 
Bom dia aos amigos e amigas que nos acompanham no nosso Blog para a leitura diária da Palavra de Deus. O evangelho de hoje apresenta na introdução da parábola de Jesus uma expressão muito bela e que se explica por si mesma “Feliz aquele que come o pão no Reino de Deus!” É claro que podemos traçar nossa reflexão a partir dessa frase ligando-a com a Eucaristia.
Pois em cada eucaristia que celebração escutamos esse convite feito pelo próprio Jesus “Felizes os convidados para a ceia do Senhor”. Um convite gentil, generoso e que necessita da resposta imediata do ser humano. Essa resposta à proposta de Deus em muitas ocasiões é uma resposta positiva, em outras ocasiões é uma resposta negativa.
O evangelho de hoje nos ajuda a refletir sobre o que é essencial na nossa caminhada, sobre o que é realmente importante. O ser humano vive a vida inteira buscando um alento para a sua vida, passa a sua existência e as vezes não consegue encontrar a paz, é como uma pessoa que busca mais não sabe bem o que busca e não sabe bem onde busca. As desculpas apresentadas no evangelho de hoje são uma síntese da falta e compreensão ainda nos dias de hoje, da falta de percepção do essencial.

Nessa liturgia podemos pedir ao Senhor, até em forma de lamento por aqueles que ainda não descobriram na eucaristia o valor supremo de suas vidas. “Ah se compreendesses o dom de Deus, deixaria de mendigar qualquer amor”. 

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

ARTIGO: "ALGUÉM QUE EU AMAVA MORREU!"


“Alguém que eu amava morreu!”
“Alguém que eu amava morreu” é o título de um livro – sem querer fazer propaganda, recomendo a todos que o leiam – do autor Earl A. Grollman. Ao mesmo tempo, é um livro sobre a morte e sobre a vida. Uma verdadeira chacoalhada na nossa postura com relação à morte de um ente querido. Foi escrito para ajudar as pessoas que estão sofrendo com a perda de um ser amado – parceiro(a), filho(a), mãe, pai, irmão(a), amigo(a) – a lidarem com as emoções da dor da morte e do luto e a experimentar, com sabedoria, esperança e fé, novamente a alegria. Para além da literatura, esta é, afinal, a experiência de vida, pela qual todos nós passamos ou passaremos. O desejo mais profundo do coração humano é a imortalidade. Saber e sentir-se finito é um dos maiores dramas do ser humano. Morrer, nem pensar! Nossa vida é medida pelo tempo. Poucos são os que acham que já viveram demais. Todos se acham no direito de esticar, o mais que puder, a sua vida aqui na terra. O que fazer então para matar esta sede de infinito? Basta ler um livro, ou há algo mais profundo para meditar?
O cristianismo vem em socorro desta angústia humana, ao apresentar o maior presente que Deus nos dá: a vida eterna. A morte entrou no mundo pelo pecado. A vida eterna começa no batismo, atravessa a morte e não tem fim. Crer na ressurreição é um elemento essencial da fé cristã. Crendo na ressurreição, somos cristãos. Não crendo, não somos cristãos (cf. Tertuliano, em Catecismo da Igreja Católica, n. 991), pois, “se Cristo não ressuscitou, vã é a nossa pregação, e vã também é a vossa fé” (1Cor 15,14). Foi Jesus quem disse: “quando eu for levantado da terra, atrairei todos a mim” (Jo 12,32). Ele já foi levantado da terra, na cruz. E já nos atraiu a Ele. Jesus é a nossa páscoa, nossa ressurreição e nossa vida: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que tenha morrido, viverá. E todo aquele que nele que vive e crê em mim, não morrerá jamais. Crês nisto?” (Jo 11,25-26). A fé na ressurreição é a base da fé em Deus. A vida, vista nesta ótica, é como o amor, nunca termina (1Cor 13,8). “Não morro, entro na vida” (Santa Teresinha). Quem crê em Deus crê na vida eterna. Quem tiver comido do seu corpo e bebido do seu sangue terá a vida eterna (Jo 6,54).
Por que ir ao cemitério do dia de Finados? O que a Igreja indica litúrgico e espiritualmente para este dia de Finados? Ela indica três motivos para se rezar pelos defuntos: a comunhão que existe entre todos os membros de Cristo, vivos e mortos; consolar, confortar e prestar ajuda espiritual a quem ainda está vivo; e, por fim, ajudar espiritualmente a pessoa que morreu a se purificar e chegar a Deus. Para este dia de Finados, destacaremos cinco atitudes que podemos ter e devemos fazer:
Visitar o cemitério: para meditar sobre o mistério da vida, da morte e da ressurreição. Ele guarda os corpos que serviram à vida, até a chegada da morte, à espera da ressurreição, no dia final. Foi nos cemitérios (catacumbas) que a Igreja se escondia das perseguições em Roma. Ali ela cresceu e aprendeu a respeitar a vida dos mártires da fé e a rezar por eles. Ir ao cemitério é lembrar-se da Palavra do Senhor de que todos somos pó, mas em Cristo voltaremos à vida. A visita ao cemitério desperta em nós a fé na ressurreição.
Rezar pelos defuntos: é uma obra de misericórdia. Santo Agostinho dizia: “uma lágrima se evapora, uma flor murcha, só a oração chega ao trono de Deus”. Oferecer a Deus o sacrifício de seu Filho, Jesus, feito uma vez por todas, mas renovado liturgicamente em nossos altares, suplicando a Deus a remissão dos pecados dos mortos que ainda poderão passar pela purificação.
Levar flores: simbolizam a saudade e o pedido de oração para que estejam na glória de Deus. Elas mostram que respeitamos os sepulcros dos mortos, em consideração à fé de que ressuscitarão no último dia. E que, vivos ou mortos, pertencemos ao Senhor, somos um só corpo. O que fazemos de bom redunda em benefício para todos, nesta ou na outra vida. Não leve ao cemitério apenas flores materiais, mas também flores espirituais da oração, da fé e do amor.
Acender vela: é um holocausto em miniatura. A vida é como uma vela acesa que se derrete diariamente até a consumação total na morte. Acenda velas, mas não esqueça que elas são o símbolo do Senhor Ressuscitado e da fé na vida eterna. Enquanto a sua vela se queimar, eleve uma prece a Deus por seus irmãos que já partiram. Ela substitui, perante a Deus, a pessoa que a acende e se consome como um holocausto oferecido a Deus.
Receber indulgência: para aqueles ou aquelas que visitarem o cemitério e rezarem pelos defuntos, de primeiro a oito de novembro, é concedida a Indulgência Plenária, nas condições costumeiras: a confissão sacramental, a comunhão eucarística e as orações nas intenções do papa (cf. Anotações para o dia de Finados, Diretório Litúrgico da CNBB 2015, p. 184).
Portanto, visitando o cemitério, limpando os túmulos, colocando flores, acendendo velas e rezando pelos entes queridos falecidos, mesmo depois de admitirmos a morte de alguém querido, haverá um salto de qualidade na nossa vida. Na visita ao cemitério reserve um tempo para a oração pessoal; acenda velas e peça que seus entes queridos cheguem à plena luz de Cristo; cubra suas sepulturas com flores que falam do seu amor; ajude na limpeza do ambiente dos túmulos; participe da celebração eucarística ou da Palavra e comungue, se puder; professe sua fé na ressurreição e na vida eterna. Cristo ressuscitado estará lá, neste dia, para enxugar nossas lágrimas, fortalecer nossa fé e aumentar a nossa esperança (cf. padre Francisco Sehnem, SJC, Revista Brasil Cristão, novembro / 2013).
“É melhor para nós, entregues à morte pelos homens, esperar, da parte de Deus, que seremos ressuscitados por Ele (2Mc 7,14). São José, padroeiro da boa morte, e sua esposa, a Virgem Maria, intercedam a Deus, agora e na hora da nossa morte. Que as almas dos fiéis defuntos, pela misericórdia de Deus, descansem em paz. Amém!
Por Dom Pedro Brito Guimarães – Arcebispo de Palmas (TO)


domingo, 1 de novembro de 2015

REFLEXÃO DA LITURGIA - SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS



PRIMEIRA LEITURA 
Breve comentário – Em meio às perseguições o profeta traz esperança. É uma linguagem codificada, que evoca Roma (Babilônia). Proclama a vitória do Cordeiro que transformou o caminho de morte em caminho de vida para todos aqueles que O seguem, e eles são numerosos; participam do seu triunfo, numa festa eterna.
1- «O selo (o sinete de marcar); nesta marca, em forma de cruz, o caráter batismal.
2- «Cento e quarenta e quatro mil» é simbólico; 12 x 12 x 1000 e são a mesma «multidão imensa que ninguém podia contar» (v. 9).
3 «Os (24) Anciãos».12 as tribos de Israel e 12 todas as tribos do mundo.
4- «Os 4 Viventes», os quatro pontos cardeais, ou os quatro elementos do mundo (terra, fogo, água e ar), isto é, a totalidade do Universo; única adoração e louvor a Deus.
6- «A grande tribulação»; perseguição violenta no curso da história da Igreja.
7- «Lavaram as suas túnicas no sangue do Cordeiro». Todos alcançaram a purificação através do sangue do crucificado, pois aceitaram Jesus e sua vida foi um esforço contínuo de conversão na imitação do Mestre Divino.
SEGUNDA LEITURA  
Breve comentário - Deus, no seu imenso amor, faz de nós seus filhos.
1 «E o somos de fato». S. João não se contenta com dizer que somos chamados filhos de Deus, pois para ele ser chamado (por Deus) equivalia a ser. 
2 A filiação divina capacita-nos para a glória do Céu, pois não é uma mera adoção legal e extrínseca, como a adoção humana de um filho. A adoção divina implica uma participação da natureza divina (cf. 2 Pe 1, 4) pela graça. «Semelhantes a Deus», mas só na glória celeste se tornará patente o que já «agora somos».
3 «Purifica-se a si mesmo». A certeza da filiação divina conduz-nos à purificação e à imitação de Cristo, o Filho de Deus por natureza: «como Ele é puro»; efetivamente, os puros de coração hão-de ver a Deus (cf. Evangelho de hoje: Mt 5, 8).
Pelo baptismo fomos identificados com Cristo, filho de Deus. Logo também, nós o somos de direito e de fato. A nossa preocupação na terra há-de ser a de imitarmos Jesus Cristo. É uma luta todos os dias porque ainda se não nos manifestou o que havemos de ser pois que só no céu o conseguiremos. A multidão incontável de que nos fala S. João, são os nossos irmãos que venceram o que temos a vencer, lutaram como temos que lutar. Em Jesus Cristo fomos chamados por Deus à filiação divina, chamados a ser herdeiros no Céu. O mistério da nossa salvação é uma realidade a construir. É um trabalho árduo que, depende da nossa fé, do nosso querer. Deus quer contar com a nossa colaboração, com o nosso querer. A única dificuldade está na nossa liberdade que Deus respeita. Deus não nos falta com a Sua ajuda e por isso teremos o prêmio, seremos bem-aventurados.
10. EVANGELHO 
AMBIENTE - Mateus nos lembra da montanha da Lei (Sinai), onde Deus Se revelou e deu ao seu Povo a antiga Lei. Agora é Jesus, que, numa montanha, oferece ao novo Povo a nova Lei que deve guiar todos.
MENSAGEM
Jesus proclama “bem-aventurados” os que estão de espírito aberto para acolher a proposta que Deus lhes oferece em Jesus; não colocam sua confiança na riqueza, no poder, no êxitos, mas sua esperança em Deus.
1- «Os pobres em espírito». Quem se apresenta diante de Deus com uma atitude humilde, sem méritos pessoais, pecador, necessitado do perdão divino, da misericórdia de Deus. Daí que: pobre não é o sem bens, mas o que não se apega a ele; tudo é de Deus. Se colocaram nas mãos de Deus, para servirem os irmãos e partilharem tudo com eles; partilham; não explora, não mente e sente compaixão dos necessitados.
***• Jesus diz: “felizes os pobres em espírito”; o mundo diz: “felizes os que tem dinheiro, comodidade, poder, segurança, bem-estar, pois é o dinheiro que faz andar o mundo e nos torna mais poderosos, mais livres e mais felizes”.
2 «Os humildes». Os “mansos” não são os fracos, os que suportam passivamente as injustiças, mas os que não aceitam as injustiças dos poderosos, mas agem com amor, sem violência, para a construção da paz; Sabe compreender, perdoar.
***• Jesus diz: “felizes os mansos”; o mundo diz: “felizes os que sabem responder com força ainda maior a uma violência e a injustiça. 
3 «Os que choram», os que têm o coração cheio de mágoa por terem ofendido a Deus e que vivem na aflição, no sofrimento provocados pela injustiça, pela miséria, pelo egoísmo; O cristão não se conforma diante do sofrimento dos outros. Ele se aflige, mas nem por isso perde a alegria, a esperança e a felicidade. O egoísta fala: “Senhor, obrigado por eu ter comida na mesa, quando há tantos que não tem”. O cristão fala o contrário: “Senhor, eu lhe agradeço este alimento, mas me preocupo com os que não tem.  Senhor, Abra o nosso coração à partilha!”
***• Jesus diz: “felizes os que choram”; o mundo diz: Feliz quem  faz da vida uma festa chic,  alta sociedade, amigos poderosos, uma boa conta bancária e um bom emprego arranjado pelo amigo político”.
4 «Fome e sede de justiça». Os que anseiam o projeto de Deus. A ideia de justiça é uma ideia de natureza religiosa: justo é aquele que cumpre a vontade de Deus. Ele anseia por uma sociedade nova e luta por ela, para que todos tenham o que lhe é necessário.
***• Jesus diz: “felizes os que têm sede de justiça”; o mundo diz: feliz quem não está bitolado por uma religião. Religião já era. Felizes os que não dependem de preconceitos ultrapassados e não acreditam num deus que diz o que deveis e não deveis fazer; Sois livres.
 5 Os “misericordiosos” são aqueles que têm um coração capaz de compadecer-se, que se deixam tocar pelos sofrimentos e alegrias dos outros; sentem como suas as alegrias e as tristezas dos irmãos e Deus também terá misericórdia dele.
***• Jesus diz: “felizes os que têm misericórdia”; o mundo diz: “felizes os que ficam longe dos miseráveis e sofredores, pois quem se comove e tem misericórdia dos outros nesse mundo competitivo nunca será grande”. 
6 «Os puros de coração» são aqueles que agem com honestidade e não enganando.   Não é falso nem engana ninguém, mas é verdadeiro e transparente. Estes verão a Deus porque Deus é assim.
***• Jesus diz: “felizes os sinceros de coração”; o mundo diz: A lei é dos espertos. “A verdade e a sinceridade destroem muitas carreiras e esperanças de sucesso”. 
7 «Os que promovem a paz» (pacíficos): Os que procuram ser instrumentos de reconciliação. Se recusam a aceitar que a violência e a lei do mais forte rejam as relações humanas; Na família, nos vizinhos, na Comunidade, no País, no mundo. Ele une os separados e integra os excluídos.
***• Jesus diz: “felizes os que constroem a paz”; o mundo diz: o que vale é a força e o poder. Cada um por si. “Quem pode mais chora menos, pois só assim podereis ser homens e mulheres de sucesso”.
8- Os “que são perseguidos por causa da justiça” são os que sofrem a injustiça dos homens. São os que lutam pela instauração do “Reino” e são desautorizados, humilhados, agredidos, por aqueles que praticam a injustiça.
***• Jesus diz: “felizes os que são perseguidos por cumprirem a vontade de Deus”; o mundo diz: Feliz é quem faz o jogo dos poderosos, pois sobe na carreira e tem êxito na vida.
As “bem-aventuranças” deixam uma mensagem de esperança para os pobres e débeis. Anunciam que Deus os ama e que está do lado deles; a libertação está  chegando.