sexta-feira, 28 de novembro de 2014

MOMENTO FORMATIVO COM A PALAVRA DE DEUS III


Arqueologia e inspiração divina
A Bíblia é fruto da inspiração divina atuantes nas pessoas que contribuíram para a sua elaboração, tanto por meio da transmissão oral como das redações, cópias e revisões. A leitura e compressão da Bíblia, por sua vez, à luz do Espírito Santo, são bastante ajudadas, hoje, tanto pelas experiências de vida das comunidades como pelas contribuições de pesquisas cientificas, particularmente pela arqueologia. Vamos conhecer as técnicas da arqueologia e alguns lugares em que elas são aplicadas. Essas pesquisas ajudam a compreender melhor os escritos bíblicos, sua formação e o próprio cânon bíblico.
Arqueologia, ciência que revela a vida
A arqueologia (do grego arcaicos+logos: estudo das antiguidades) encontra-se entre as ciências que oferecem melhores condições para o estudo do Israel antigo. Ela era uma subciência da história. No século XX, porem, tornou-se uma ciência formal, com objetivos próprios e métodos específicos. A história investiga documentos escritos e é apoiada pela arqueologia que pesquisa monumentos, objetos e fragmentos antigos, perdidos no tempo e, de alguma maneira, ocultos. No inicio, essa pesquisa limitava-se àquilo que era encontrado na superfície do solo, mas evoluiu para a busca em escavações, também. Na arqueologia moderna, temos duas etapas que se completam: a exploração dos locais históricos de habitação humana, sobretudo mediante as escavações, e interpretação dos achados. Quando estes contêm textos, são analisados pela epigrafia, que confronta os textos entre si e procura reconstruir a cultura e os costumes da época estudada.
A arqueologia tem um ramo mais especifico: a arqueologia bíblica. Esta contribui para melhor compreensão dos textos bíblicos, esclarecendo questões duvidosas ou pouco definidas. Uma grande parte da Bíblia foi esclarecida pelos resultados de pesquisas arqueológicas, que reconstituiu tanto o amplo fundo histórico do mundo antigo, no qual os hebreus viviam, como os detalhes concretos da vida e do trabalho naquele mundo, além da contribuição de textos ou fragmentos de textos encontrados.
As escavações arqueológicas na terra de Israel e em outras regiões de interesse bíblico começaram no século XIX. Suas técnicas de pesquisa estão sendo aperfeiçoadas até hoje. Para as escavações, os arqueólogos escolhem uma colina baixa, chamada tell, lugar habitado no passado e repetidamente destruído e reconstruído. O modo de estudar este lugar é feito de forma horizontal e vertical. Durante as escavações, o terreno é observado, descrito e registrado nesses dois sentidos. Tudo isso para chegar à idade mais precisa de determinado povo, cultura e objeto, e recompor sua história.
Nas escavações são encontradas camadas sobrepostas de ruinas com utensílios, moedas jarras de épocas diferentes e ouros objetos. Tudo que é encontrado é medido, fotografado, estudado e catalogado e conservado em museus. Normalmente a cerâmica é de grande ajuda para estabelecer datas, porque ela era diferente na forma e nos desenhos, segundo cada grupo humano e cada época.
A intervenção dos achados nas pesquisas às vezes é facilitada quando são encontradas, nomes de pessoas e lugares. Quando isso não ocorre, há um recurso a outras fontes de Israel ou de povos vizinhos, que permitam reencontrar o contexto histórico, cultural e religioso dos achados. A bíblia é uma referência indicativa para a realização das pesquisas arqueológicas e pode ser também uma fonte elucidativa para a interpretação dos achados.
Na terra de Israel, as mais importantes escavações foram realizadas em Jerusalém e arredores. Foram encontradas ruinas de muros e de construções de épocas diferentes. Ressaltamos três lugares importantes para a escavação e pesquisas: a Piscina da Porta das Ovelhas e o Litóstrotos em Jerusalém; uma sinagoga em Cafarnaum, na Galiléia e Qumram, na Judeia. 
a) Piscina da porta das ovelhas
A parte antiga da cidade de Jerusalém é cercada por um muro. No tempo de Jesus, existiam no muro muitas portas para saída e entrada de pessoas e animais. Cada porta tinha um nome, uma das quais era conhecida como Porta das Ovelhas. Perto dela ficava a piscina, chamada de Betzata (casa do óleo), conhecida como Betesda, que significa “casa da misericórdia” (Jo 5,2). Nas escavações de 1958, os arqueólogos descobriram restos dessa piscina.
b) O Litóstrotos
Outro lugar importante é o Litóstrotos (Jo 19,13), onde Jesus foi condenado por Pilatos, em Jerusalém, na via dolorosa. A palavra “Litóstrotos” vem do grego e significa “pavimento de pedra”. Foi descoberto nas escavações dos anos 1931 e 1932.
c) A sinagoga de Cafarnaum
Outros lugares da Palestina, como Cafarnaum, Jericó, Gazer, Samaria, são fontes de pesquisas arqueológicas. Cafarnaum, pequena cidade da Galileia, próxima ao lago de Genesaré, é mencionada muitas vezes nos evangelhos. Em Cafarnaum havia um posto fiscal (Mc 2,14) e um posto de policia (Jo 4,46). Jesus morou em Cafarnaum (Mc 1,29-30), pregou na sinagoga (Mc 1,21), lamentou-se sobre a cidade (Mt 11,23-24).
Em 1905, durante as pesquisas arqueológicas em Cafarnaum, foi descoberta uma sinagoga construída no século IV E.C. debaixo do seu piso, encontram-se ruinas de uma construção anterior que remonta ao século I E.C. Essa descoberta faz supor que se trata das ruinas da sinagoga que foi frequentada por Jesus (Jo 6,59). Perto dela foram encontrados restos de uma Igreja Bizantina de formato octogonal, construída ao redor de uma casa mais antiga, venerada muito cedo pelos cristãos, como sendo a casa de Pedro.
d) Qumram e os documentos do mar Morto
A cerca de 2km a noroeste do mar Morto encontra-se uma região montanhosa e deserta, chamada Qumram (lunar), cheia de grutas naturais nas encostas quase verticais. Em abril de 1947, um pastorzinho de 14 anos, ao entrar em uma das grutas, encontrou, por acaso, alguns objetos: jarros de cerâmica e dentro das quais havia rolos de pergaminho. Eram textos bíblicos ou comentários, de grande valor arqueológico. A descoberta motivou uma ampla pesquisa arqueológica nas grutas e regiões vizinhas, descobrindo-se, até, as ruínas de um antigo mosteiro de uma comunidade religiosa, próximas ao mar Morto.
Essa comunidade foi identificada, pela maior parte dos estudiosos, como sendo de essênios, já mencionado por historiadores do século I E.C. Os essênios teriam habitado este local do século I a.E.C. até o início do século II E.C.
Essa posição é questionada pelos estudos mais recentes, pois, nem mesmo a comunidade se autodenomina como “essênios”, e sim: “filhos de Sadoc”,” filhos da aliança”, “guardiães da aliança” e outros. Há uma unanimidade, entre os estudiosos em considerar este movimento multifacetário, de não conformismo com a situação vigente, de anti-Jerusalém e anti-farisaico do 2º século a.E.C. até o final do 1º século da E.C. admitem também, que este movimento era formado por grupos de diferentes tendências.
Essa é a mais importante descoberta, até hoje, de toda a história da arqueologia bíblica palestinense. Em 11 cavernas da região, foram encontrados mais de 600 rolos, completos ou em fragmentos, bíblicos e não bíblicos. A arqueologia bíblica concluiu que os rolos foram colocados pelos monges nas cavernas por volta do ano 70 E.C., durante confrontos com o império romano, para preservá-los da destruição. Por meio do estudo das ruinas do mosteiro foram colhidas muitas informações sobre o estilo de vida da comunidade, suas regras, sua espiritualidade e sua visão de mundo.
Fora da terra de Israel também foram feitos estudos sobre documentos de grande interesse para o estudo bíblico. No Egito foram encontrados papiros bíblicos importantes.
Inspiração divina: Deus e as pessoas escrevendo a Bíblia
A Bíblia é a Palavra de Deus. Como essa Palavra de Deus se tornou a palavra escrita da Bíblia?
A tradição afirma que a Bíblia contém palavras inspiradas por Deus. Tal afirmação foi entendida por muitos como se os textos bíblicos tivessem sido escritos por um autor que simplesmente anotasse palavras ditadas por Deus. Contudo sabemos que os textos bíblicos estão relacionados a fatos históricos e que intervalos de tempo mais ou menos longos separam esses fatos e suas respectivas redações. Além disso, os livros que hoje consideramos inspirados, livros canônicos, são textos copiados das redações originais, que se perderam ao se passar do tempo. Portanto, só podemos entender que a inspiração divina atua em todas as pessoas fiéis que, em sua história de vida, tiveram a experiência de presença de Deus junto a seu povo, compreenderam essa experiência e a transmitiram oralmente, a qual, posteriormente, foi registrada por escrito, revista, copiada, interpretada, ao longo do tempo.
O cânon bíblico
A palavra cânon é de origem grega e significa “medida, norma”. O cânon, em relação à Bíblia, é a norma que estabelece a lista dos livros considerados inspirados por Deus. Judeus de língua hebraica e grega, samaritanos e cristãos usam o mesmo livro sagrado, a Bíblia. Entretanto, cada uma delas possui sua lista de livros inspirados.
a) O cânon da Bíblia hebraica
A primeira Bíblia foi escrita na língua hebraica e (uma pequena parte) na língua aramaica. Ela recebe três nomes diferentes: Bíblia hebraica, cânon palestinense ou ainda texto massorético. Ela é usada pelos judeus. Traz 39 livros. A lista dos 39 livros foi aprovada entre os anos 80 e 100 E.C., na cidade de Jâmnia, ao sul da terra de Israel e a cerca de 50km de Jerusalém. Os judeus aceitam como livros sagrados os que forame escritos na língua hebraica e aramaica, na terra de Israel e até o tempo de Esdras. Eles não aceitam na lista sete livros que foram incluídos pelos judeus na diáspora (fora da Palestina). Esses sete livros forame scripts fora de Israel, provavelmente na língua grega e depois do período de Esdras (398 aE.C.); são chamados deuterocanônicos (segunda lista). São eles: Tobias, Judite, 1 e 2 Macabeus, Eclesiástico, Baruc, Sabedoria, e partes de Ester e Daniel.
A Bíblia hebraica não traz os livros do Segundo Testamento. Ela é organizada em três grandes blocos. O primeiro bloco é chamado Torá; significa ensinamento, caminho. A Torá é formada por cinco livros de valor máximo, indiscutível para o judeu: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio.
O segundo bloco é formado pelos livros dos profetas anteriores e posteriores. Esses escritos também tem um grande valor, mais não igual ao do primeiro bloco. São usados para explicar a Torá. Os livros dos profetas anteriores são: Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel, e 1 e 2 Reis.
Os livros dos profetas posteriores são: Isaias, Jeremias, Ezequiel, Oseias, Joel, Amós, Sofonias, Habacuc, Jonas, Miqueias, Naum, Abdias, Ageu e Malaquias.
O terceiro bloco é formado pelos livros chamados de escritos: Salmos, Provérbios, Jó, Cântico dos Cânticos, Rute, Lamentações, Eclesiastes, Ester, Daniel, Esdras, Neemias, 1 e 2 Crônicas. Ganha destaque o livro dos Salmos, ele é usado para a oração pessoal, familiar e nas sinagogas.
A estrutura e divisão da Bíblia hebraica pode ser conhecida e verificada mediante a recente Tradução Ecumênica da Bíblia (TEB) para a língua portuguesa.
b) O cânon samaritano
São chamados de samaritanos os moradores da região da Samaria, situada na parte central da terra de Israel. A lista dos livros da Bíblia aprovada pelos samaritanos contém apenas os cinco primeiros livros: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Quando os samaritanos se separaram da comunidade judaica, por volta do ano 300 a.E.C., preferiram ficar só com os cinco livros da Bíblia, a Torá.
c) O cânon alexandrino
Alexandria é uma cidade do Egito, no continente africano. Lá moravam muitos judeus que aceitavam a língua e a cultura gregas. Surgiu então a necessidade de traduzir a Bíblia do hebraico e aramaico para o grego. Essa tradução leva o nome de Bíblia grega ou Setenta, do latim Septuaginta. Ela contém 53 livros. Essa tradução traz os 39 livros da Bíblia hebraica, mais os sete livros chamados deuterocanônicos.
d) O cânon da vulgata
“Vulgata” é uma palavra que vem da língua latina e significa popular. A vulgata traz ao todo 73 livros. O Primeiro Testamento traz 46 livros e o Segundo Testamento, 27. As outras denominações cristãs aceitam apenas os 39 livros do Primeiro Testamento da Bíblia hebraica e os 27 do Segundo Testamento, mas não aceitam os sete livros deuterocanônicos que se encontram na Bíblia grega. Daí a diferença do número de livros na Bíblia usada pelos cristãos católicos e não católicos.
Na Bíblia usada pelos católicos, os livros do Primeiro Testamento são classificados em quatro blocos:
Pentateuco:
Gênesis
Êxodo
Levítico
Números
Deuteronômio.
Históricos:


Josué
Juízes
Rute
Samuel
Reis
Crônicas
Esdras
Neemias
Tobias
Judite
Ester
Macabeus
Poéticos ou Sapienciais
Salmos
Provérbios
Eclesiastes
Cântico dos Cânticos
Sabedoria
Eclesiástico
Proféticos
Isaias
Jeremias
Lamentações
Baruc
Ezequiel
Daniel
Oseias
Joel
Amós
Abdias
Jonas
Miqueias
Naum
Habacuc
Sofonias
Ageu
Zacarias
Malaquias


c) Cânon do Segundo Testamento
Tanto os livros do Primeiro quanto os do Segundo Testamento não surgiram com os livros “canônicos”, mas recebeu essa denominação muito depois. Muitos textos do Segundo Testamento não foram escritos, desde o inicio, para serem usados em toda Igreja, pois alguns tratam de assuntos específicos ligados a determinadas comunidades. Mas desde cedo foram considerados “escritos sagrados e inspirados”. O cânon porém, levou muitos anos para ser aprovado como nós o conhecemos hoje. Entre os motivos, encontram-se o grande número de evangelhos que haviam surgido e as discussões em torno da ordem ou sequencia dos livros da Bíblia. Por volta do século IV, ele foi reconhecido por todos os cristãos.
O número dos livros considerados inspirados e sua ordem foram aprovados oficial e definitivamente, par ao uso dos cristãos católicos, durante o Concilio de Trento, em 1546. Porém, essa lista dos livros do Primeiro e do Segundo Testamentos já fazia parte da tradição católica há mais de mil anos.
Os escritos do cânon do Segundo Testamento são classificados em Evangelhos, Atos, Cartas, Hebreus e Apocalipse.


Evangelhos
Mateus
Marcos
Lucas
João
Cartas:
Cartas de Paulo:
Romanos
Coríntios
Gálatas
Filipenses
Filemon
1 Tessalonicenses
Cartas atribuídas a Paulo:
2 Tessalonicenses
Efésios
Colossenses
Cartas pastorais:
Tito
Timóteo
Cartas Católicas:
Tiago
Pedro
João
Judas
Hebreus
Apocalipse


O número de livros em cada cânon bíblico é fixo e não muda mais. 

MOMENTO COM A PALAVRA DE DEUS 28.11.14


MOMENTO COM A PALAVRA DE DEUS 28.11.14 
+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas 21,29-33
Naquele tempo: 
29 Jesus contou-lhes uma parábola: 
'Olhai a figueira e todas as árvores. 
30 Quando vedes que elas estão dando brotos, 
logo sabeis que o verão está perto. 
31 Vós também, quando virdes acontecer essas coisas, 
ficai sabendo que o Reino de Deus está perto. 
32 Em verdade, eu vos digo: 
tudo isso vai acontecer antes que passe esta geração. 
33 O céu e a terra passarão, 
mas as minhas palavras não hão de passar. 
Palavra da Salvação. 

Devemos ser capazes de reconhecer os sinais dos tempos para que possamos perceber os apelos do Reino de Deus na nossa vida, assim como sermos capazes de descobrir a presença de Jesus na história das pessoas. Somente quando somos capazes de analisar os acontecimentos a partir da ótica da fé é que somos capazes de interpretar os fatos como sendo sinal dos tempos e ação da graça divina no nosso dia a dia. Para que isso seja possível, a Palavra de Jesus deve ser o critério fundamental para a interpretação dos acontecimentos.


quarta-feira, 26 de novembro de 2014

MOMENTO FORMATIVO COM A PALAVRA DE DEUS II



Bíblia, comunicação de Deus em linguagem humana
Muitos homens e mulheres, de lugares, línguas e culturas diversas, contribuíram para que a humanidade tivesse acesso à Bíblia. As narrativas referentes às experiências de Deus vividas pelo povo de Israel em sua história foram, inicialmente, guardadas na memória e transmitidas de viva voz, até serem registradas por escrito, em papiros, pergaminhos e outros materiais conhecidos e disponíveis em cada época.


A Bíblia é a voz de Deus na comunicação do povo
A Bíblia é o registro escrito, sob a luz da fé, de experiências vividas por mulheres e homens em épocas, lugares e situações diferentes. Eram pais e mães de família, gente instruída e gente simples. Muitos não sabiam ler nem escrever, porém contavam e recontavam histórias que tinham ouvido, as quais lembravam sobretudo a presença e ação de Deus, que caminhava com eles. Em todas essas experiências, que progressivamente passaram a ser registradas por escritos, o povo reconheceu a voz de Deus. Muitos homens e mulheres, sacerdotes e profetas, reis e pastores, apóstolos e evangelistas, com suas comunidades, contribuíram para escrever a Bíblia.
Mesmo que muitos livros contidos nela tenham nomes de homens e mulheres, é difícil saber com certeza quem os escreveu. Isto quer dizer que nem sempre um livro da Bíblia que traz o nome de uma pessoa tenha sido escrito por ela. Naquele tempo era costume colocar o nome de alguém importante, para que assim o livro fosse aprovado e lido. Não havia, como hoje, a preocupação com os direitos autorais. Muitos livros são também fruto de vários autores de épocas e lugares diferentes. Como os autores humanos são muitos, também a sua escrita se deu em muitos lugares diferentes.
Lugares onde foi escrita a Bíblia
De fato, os livros da Bíblia foram escritos não só em lugares diferentes, mas às vezes o mesmo livro começou a ser escrito em um lugar e foi completado, copiado ou revisado, muitas vezes recebendo acréscimo, em outros. Grande parte dos livros do Primeiro Testamento foram escritos na terra de Israel, onde se formou e viveu o povo de Israel, lugar onde Jesus nasceu, viveu, ensinou, morreu e, segundo a fé cristã, ressuscitou.
Alguns livros da Bíblia foram escritos fora de Israel: na babilônia, no Egito, na Ásia Menor, na Grécia e na Itália, lugares por onde se espalharam os judeus e as comunidades cristãs primitivas. Pela diversidade de autores e lugares, podemos imaginar a variedade de riquezas, costumes, culturas, situações socioeconômicas, políticas e religiosas que se refletem em cada livro. Esses autores certamente sofreram influência de outros povos na maneira de ver, viver e transmitir a mensagem de Deus à humanidade, com um novo olhar e uma nova forma. Se os autores eram de lugares diferentes, muitos falavam e escreviam em línguas diferentes.

Línguas Bíblicas
A terra de Israel, onde se formou grande parte dos livros, faz parte do Oriente Próximo, na Ásia. Essa região foi dominada por diversos povos, culturas e civilizações, desde as épocas mais remotas. Por isso, na região da terra de Israel, muitas línguas foram faladas e usadas na escrita, no decorrer desses anos todos. Entre elas destaca-se o grupo das línguas semíticas. Desse grupo fazem parte o acádico, o assírio, o cananeu, o fenício, o hebraico, o aramaico, o árabe e outras. Essas línguas possuem semelhanças na fala, na escrita e no modo de construir o pensamento e as frases. São como a língua portuguesa, que tem semelhanças com o espanhol, o italiano, o francês e outras.
Existe um outro grupo linguístico, o indo-europeu, que abrange outras áreas da Ásia e da Europa, do qual faz parte o grego. Vamos ver mais de perto o hebraico, o aramaico e o grego, que costumamos chamar de línguas bíblicas, porque nessas línguas foi escrita a Bíblia.
a) Hebraico
A língua hebraica faz parte das línguas semíticas. Ela nasceu no Oriente Próximo e Médio. O primeiro documento conhecido na língua hebraica é o calendário agrícola de Gazer, por volta do século X a.E.C. Gazer é uma cidade próxima de Jerusalém situada no território de Efraim. Esse documento, escrito em hebraico, foi encontrado nas escavações dessa cidade em 1928 E.C. O calendário surgiu aproximadamente em 925 a.E.C., enquanto a língua hebraica estava em fase de formação. Ela sofreu mudanças que se refletiram no texto da bíblia hebraica. As mudanças não aconteceram de uma vez, mas em três fases sucessivas.
A primeira fase vai aproximadamente do ano 1000 até o ano 100 a.E.C. As palavras eram escritas só com as consoantes. E estas não eram escritas do mesmo jeito em todos os lugares. Depois do exílio da Babilônia, por volta do ano 538 a.E.C., a escrita das consoantes começou a tomar a forma quadrada, como é até hoje no hebraico bíblico.
A segunda fase vai do ano 100 a.E.C. ao ano 500 E.C. Nesse período é fixada uma forma única de escrever as consoantes.
A terceira e última fase vai do ano 500 ao ano 900 E.C. Nesse período, a língua chega a adquirir sua estabilidade com o acréscimo e fixação das vogais. O trabalho de unificar as consoantes e acrescentar vogais foi definitivamente sistematizado no século IX E.C. por um grupo de judeus de Tiberíades, estudiosos da Bíblia. Eles são chamados massoretas. Esse nome significa tradicionalistas, porque eles colocavam por escrito todas as tradições orais que diziam respeito ao texto bíblico e, em particular, ao modo de lê-lo e escre-vê-lo.
B) Aramaico
O aramaico é língua-irmã do hebraico, muito parecida com este na escrita e na pronúncia. Começou a ser falado pelo povo da Bíblia no tempo do exílio da Babilônia, por volta do ano 587 a.E.C., quando muitos judeus, fora da própria terra, começaram a falar a língua dos babilônios. Mesmo assim, o hebraico continuou – e continua ainda hoje – a ser usado na leitura dos textos bíblicos, na literatura das sinagogas e como língua falada em Israel. A sinagoga, na tradição judaica, é o lugar privilegiado de oração e estudado dos escritos sagrados, assim como é a igreja para os cristãos e a mesquita para os muçulmanos. Poucos são os escritos na língua aramaica: apenas alguns capítulos do livro de Esdras (Esd 4,8-6,18; 7,12-26), alguns capítulos do livro de Daniel (Dn 2,4b-7,28) e um versículo do livro de Jeremias (Jr 10,11). Quanto ao segundo testamento, alguns padres da igreja afirmam que o evangelho de Mateus foi escrito originalmente em aramaico e traduzido para o grego chegando até nós só na versão grega. Hoje é discutida a hipótese de um original do evangelho de Mateus em aramaico.
C) Grego
O grego é a terceira língua em que foram escrito alguns livros do primeiro testamento chegaram até nós, na língua grega, os livros: Tobias, Judite, 1 e 2 Macabeus, Baruc, Sabedoria, Eclesiástico, Partes do livro de Daniel (Dn 3,24-25.52-90;13-14) e de Ester (Est 10,4-16,24). Esses capítulos do livro de Ester encontram-se nessa ordem na vulgata, seguida pela tradução do padre Matos Soares. As Bíblias católicas modernas seguem a ordem da versão dos Setenta e a numeração do texto hebraico. A Tradução Ecumênica da Bíblia (TEB) traz o texto hebraico separado do texto grego. A Bíblia de Jerusalém fundiu os dois num único, trazendo o texto grego em itálico, para distingui-lo do hebraico.
A língua e a cultura gregas já conhecidas no Oriente Próximo e Médio, mesmo antes da sua dominação sobre a terra de Israel. A partir de Alexandre Magno, em 333 a.E.C., a língua e a cultura helênicas se impuseram em todo o seu domínio.
O grego era falado principalmente nas cidades. Daí, surgiu a necessidade de traduzir a Bíblia do hebraico para o grego, para ser utilizada no culto religioso. O grego bíblico não era o grego clássico dos filósofos, mas o popular, chamado koiné. Havia uma mistura de línguas por causa das sucessivas dominações ocorridas na região. Por isso, o povo falava o aramaico em casa, usava o hebraico na liturgia e o grego no comércio e na política.
Havia outras línguas conhecidas na época, mas o hebraico, o aramaico e o grego são consideradas línguas bíblicas. Com elas foram escritos os textos originais e as cópias do Primeiro e do Segundo testamentos.
Materiais utilizados para escrever a Bíblia
A Bíblia, muito antes de ser escrita, foi vivida. Os fatos e as experiências do povo foram guardados na memória e recontados pelos pais filhos aos filhos, de geração em geração. Isso ocorreu no chamado período das tradições orais. Durou aproximadamente mil anos.
Quando a Bíblia foi escrita, ainda não existia o papel como nós o conhecemos hoje, pois ele é uma descoberta do século XV da nossa era. A Bíblia foi escrita sobre os materiais que eram usados naquela época: o papiro e o pergaminho.
a) O papiro
 papiro já era conhecido no Egito 3 mil anos a.E.C. Seu uso não se restringia à escrita, pois era utilizado também para fabricar cestos e até barcos (Ex 2,3; Is 18,2). O que é o papiro? É uma planta que cresce na água, em regiões quentes. Ele era cortado em tiras, as quais depois eram coladas, prensadas e alisadas para haver melhor firmeza na escrita.
O papiro era usado na forma de rolos e depois de livro. A escrita sobre ele era feita com pincel ou pena, utilizando-se de tinta preta ou em cores variadas. A disposição das páginas era feita em sucessivas colunas verticais. Sobre o papiro foram escritos alguns pequenos textos da Bíblia Hebraica.
b) O pergaminho
O pergaminho foi inventado na cidade de Pérgamo, na Ásia Menor, da qual derivou seu nome. Era feito com couro de animais, sobre tudo de ovelhas ou cordeiros. Depois de seco era preparado para a escrita, na forma de rolo. Grande parte dos livros da Bíblia foi escritos nesse material. Na segunda carta a Timóteo (2 Tm 4,13), Paulo refere-se aos pergaminhos.
c) Outros Materiais

No tempo em que a Bíblia foi escrita, existiam outros materiais usados para a escrita, como as tabuinhas de argila, chapas de pedras, paredões de rochedos, paredes de pedras, jarros de cerâmica. Os povos antigos registravam nesses materiais os fatos importantes de sua história. O povo israelita também fez uso de pedras para gravar nelas a memória de alguns fatos importantes (cf. Js 8,32).

terça-feira, 25 de novembro de 2014

MOMENTO FORMATIVO COM A PALAVRA DE DEUS



A BÍBLIA, PARCERIA ENTRE DEUS E O POVO
Iniciemos com o bê-á-bá da Bíblia para nos familiarizar com ela, partindo de noções básicas, como o significado de seu nome, bem como a presença de dois Testamentos.
Bíblia, biblioteca de Deus na humanidade
Certamente você já ouviu falar da Bíblia, e talvez já tenha tido contato com ela. “Bíblia” não é uma palavra que tenha origem na língua portuguesa. Ela vem da palavra grega “Biblos” e significa “livros” ou “coleção de livros”.
De fato, num único livro chamado Bíblia, temos uma coleção de 73 livros. Eles foram escritos por muitos autores humanos inspirados por Deus. A Bíblia nasceu da parceria entre Deus, que se comunica, e o povo, que descobre nos acontecimentos da vida, na história.
Dois Testamentos, herança de Deus para nós
A Bíblia é formada por dois grandes blocos chamados Testamentos. Nós conhecemos a palavra “testamento”. E o que é testamento? É um ato pessoal, unilateral, gratuito e solene, pelo qual alguém, com observância da lei, dispõe de seus bens (patrimônio) após sua morte, em favor dos filhos ou de outra pessoa. A palavra “testamento” aplicada à Bíblia aparece na carta aos Gálatas (Gl 3,15-17) e no livro aos Hebreus (Hb 9,15-17), para dizer que somos herdeiros de uma promessa que foi feita por Deus diretamente a Abraão e seu descendente, Jesus Cristo. Abraão faz parte do Primeiro Testamento e Jesus Cristo, do Segundo. Convencionou-se chamar o Primeiro Testamento de Antigo Testamento desde o tempo de Paulo (2Cor 3,14), por volta do ano 56 E.C. A maioria dos livros dessa parte da Bíblia é aceita por judeus e cristãos, enquanto o Segundo Testamento é aceito somente pelos cristãos e é conhecido como Novo Testamento.
O Primeiro Testamento constitui a primeira e maior parte da Bíblia. É formado pelos livros que foram escritos antes do nascimento de Jesus, aproximadamente entre os anos 1250 a.E.C. e 50 a.E.C. O livro da Sabedoria foi o último a ser escrito. Na Bíblia usada pelos cristãos de confissão católica, foram conservados 46 livros no Primeiro Testamento, como veremos adiante.   
O Segundo Testamento é a segunda parte do livro chamada Bíblia. Traz os escritos feitos depois do nascimento Jesus, os quais falam sobre este e as primeiras comunidades cristãs. Começaram a ser escritos cerca de 20 anos depois da morte de Jesus e foram concluídos por volta do ano 115 E.C. São 27 livros, aceitos por todas as denominações cristãs.

FONTE: Bíblia, comunicação entre Deus e o povo. Serviço de Animação Bíblica – SAB.  

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

MOMENTO COM A PALAVRA 20.11.14



Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas 19,41-44
Naquele tempo: 
41Quando Jesus se aproximou de Jerusalém e viu a cidade, 
começou a chorar. E disse: 
42'Se tu também compreendesses hoje 
o que te pode trazer a paz! 
Agora, porém, isso está escondido aos teus olhos! 
43Dias virão em que os inimigos 
farão trincheiras contra ti e te cercarão de todos os lados. 
44Eles esmagarão a ti e a teus filhos. 
E não deixarão em ti pedra sobre pedra. 
Porque tu não reconheceste o tempo 
em que foste visitada.'
 
Palavra da Salvação. 

Para os ouvidos do povo, Jerusalém leva a paz impressa em seu nome, como um destino. Os peregrinos a saúdam com a paz. Por sua vez o arauto anuncia a chegada do príncipe da paz (Zc 9,9-10). No entanto, há uma rejeição ao príncipe da paz, não aceitam a saudação, rejeitam a visita. Em consequência a cidade “Compacta” será destruída.
Jesus chora ao pronunciar a sentença de destruição. Não a pronuncia irado ou com sentimento de vingança, ao contrário, chora como Jeremias “meus olhos se desfazem em lágrimas, dia e noite sem cessar, pela terrível desgraça da capital do meu povo, por sua ferida incurável” (Jr 14,17).
A cidade destruída pode ser transposta nos tempos de hoje como a nossa relação com Deus. Uma vez que as atitudes de Jesus são a personificação da paciência, do amor com que Deus se relaciona conosco. A expressão é muito linda 42'Se tu também compreendesses hoje o que te pode trazer a paz! É como um choro de lamentação pelas oportunidades com que o povo deixou escapar na chance de melhorar sua intimidade com o Senhor.
Caríssimos amigos e amigas, as oportunidades são colocadas em nossa vida para melhorarmos a nossa conduta, para refinarmos o nosso discipulado. Não podemos perder mais as oportunidades a fim de que não sejamos afetados pela expressão de Jesus que finda esse evangelho “Porque tu não reconheceste o tempo em que foste visitada”.  

Pe. Felipe Ribeiro 

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

MOMENTO COM A PALAVRA 19.11.14



Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas 19,11-28
Naquele tempo: 
11Jesus acrescentou uma parábola, 
porque estava perto de Jerusalém 
e eles pensavam que o Reino de Deus ia chegar logo. 
12Então Jesus disse: 
'Um homem nobre partiu para um país distante, 
a fim de ser coroado rei e depois voltar. 
13Chamou então dez dos seus empregados, 
entregou cem moedas de prata a cada um, 
e disse: 'Procurai negociar até que eu volte'. 
14Seus concidadãos, porém, o odiavam, 
e enviaram uma embaixada atrás dele, 
dizendo: 'Nós não queremos que esse homem reine sobre nós'.
15Mas o homem foi coroado rei e voltou. 
Mandou chamar os empregados, 
aos quais havia dado o dinheiro, 
a fim de saber quanto cada um havia lucrado. 
16O primeiro chegou e disse: 
'Senhor, as cem moedas renderam dez vezes mais.' 
17O homem disse: 
'Muito bem, servo bom. 
Como foste fiel em coisas pequenas, 
recebe o governo de dez cidades'. 
18O segundo chegou e disse: 
'Senhor, as cem moedas renderam cinco vezes mais'. 
19O homem disse também a este: 
'Recebe tu também o governo de cinco cidades'. 
20Chegou o outro empregado e disse: 
'Senhor, aqui estão as tuas cem moedas 
que guardei num lenço, 
21pois eu tinha medo de ti, 
porque és um homem severo. 
Recebes o que não deste e colhes o que não semeaste'. 
22O homem disse: 
'Servo mau, eu te julgo pela tua própria boca. 
Tu sabias que eu sou um homem severo, 
que recebo o que não dei e colho o que não semeei. 
23Então, porque tu não depositaste meu dinheiro no banco? 
Ao chegar, eu o retiraria com juros'. 
24Depois disse aos que estavam aí presentes: 
'Tirai dele as cem moedas e dai-as àquele que tem mil'. 
25Os presentes disseram: 
'Senhor, esse já tem mil moedas!' 
26Ele respondeu: 'Eu vos digo: 
a todo aquele que já possui, será dado mais ainda; 
mas àquele que nada tem, será tirado até mesmo o que tem.
 
27E quanto a esses inimigos, 
que não queriam que eu reinasse sobre eles, 
trazei-os aqui e matai-os na minha frente'.' 
28Jesus caminhava à frente dos discípulos, 
subindo para Jerusalém. 
Palavra da Salvação.
 

“Jesus caminhava à frente dos discípulos, subindo para Jerusalém”. Jesus caminha à frente e os discípulos que vão atrás com muito medo. Não está em questão o medo que os discípulos possam ter da missão. Parece contar mais o desejo de não parar na caminhada. O caminho atrás de Jesus é um caminho de aprendizado, um caminho de superação, um caminho de maturação. Foi esta a vida dos discípulos. Assim sendo devemos rever os nossos dons.
Os dons que temos não nos pertencem, mas sim a Deus, que é o Senhor de tudo, de modo que os dons que recebemos de Deus devem ser ordenados para ele. Sendo assim, não podemos usar os nossos dons, nem mesmo os dons naturais, somente em vista da nossa realização e da nossa promoção pessoal, mas devemos colocá-los a serviço de Deus e dos nossos irmãos e irmãs, pois somente quando o dom se transforma em serviço é que ele é capaz de multiplicar e de produzir frutos em abundância, contribuindo, assim, para que o Reino de Deus cresça cada vez mais no meio dos homens.


segunda-feira, 3 de novembro de 2014

DIMENSÃO CASEIRA DA FÉ

DIMENSÃO CASEIRA DA FÉ
As simples e profundas mensagens do Papa Francisco está convocando a Igreja Católica e desafiando a sociedade para a ousadia da fé, à luz da “dimensão caseira de Jesus Cristo”.
O documento de estudos da CNBB, nº 104, aprovado em abril de 2013, intitulado “Comunidade de Comunidades: uma nova paróquia”, ressalta, no primeiro capítulo, o jeito revolucionário de Jesus Cristo. O documento lembra que "o Filho de Deus apresentou-se como o Bom Pastor (cf. Jo 10,11), revelando um novo jeito de cuidar das pessoas. O ambiente da casa exerceu na atividade de Jesus um papel central.
Não se tratara somente da casa material nem da família, mas, sobretudo, da comunidade. Durante os três anos em que andou pela Galileia, Ele visitou as pessoas. Entrou na casa de Pedro (cf. Mt 8,14), de Mateus (cf. Mt 9,10), de Zaqueu (cf. Lc 19,5), entre outros. O povo o procurava na casa Dele (cf. Mt 9,28; Mc 1,33). Quando ia a Jerusalém, Jesus parava em Betânia, na casa de Marta, Maria e Lázaro (cf. Jo 11,3). Ao enviar os discípulos, deu-lhes a missão de entrar nas casas do povo e levar a paz (cf. Mt 10,12-14).
Jesus transmite a Boa-Nova: nas sinagogas, aos sábados (cf. Mc 1, 21); em reuniões informais na casa de amigos (cf. Mc 2, 1.15); andando pelo caminho com os discípulos (cf. Mc 2,23); e sentado num barco (cf. Mc 4,1). Ele vai ao encontro das pessoas, estabelecendo com elas uma relação direta através da prática do acolhimento. Ele propõe um caminho de vida: "Vinde a mim, todos vós que estais cansados e carregados de fardos e eu vos darei descanso" (Mt 11,28).
Jesus tem um cuidado muito especial com os doentes (cf. Mc 1,32). A doença era considerada, naquele tempo, um castigo divino. Por isso, os doentes eram afastados do convívio social, vivendo de esmola. Jesus, entretanto, tem um novo olhar sobre eles. Toca-os para curá-los tanto da lepra como da exclusão. Com essa atitude, assumira, conscientemente, uma marginaliza­ção social, por ter tocado o leproso, a ponto de já não poder entrar nas cidades (cf. Mc 1,45).
Jesus anuncia o Reino para todos. Não exclui ninguém. Oferece um lugar aos que não tinham lugar na convivência humana. Recebe como irmão e irmã os que a religião e a sociedade desprezavam e excluíam: prostitutas e pecadores (cf. Mt 21,31-32); pagãos e samaritanos (cf. Lc 7,2-10); leprosos e possessos (cf. Mt 8,2-4;); mulheres, crianças e doentes (cf Mc 1,32;); publicanos e soldados (cf Lc 18,9-14); e muitas pessoas necessitadas (cf Mt 5,3).

Jesus supera as barreiras de sexo, de religião, de etnia e de classe social. Ele não se fecha dentro da sua própria cultura, mas sabe reconhecer as coisas boas que existem em todas as pessoas (cf. Estudos da CNBB. 104).