quarta-feira, 18 de novembro de 2015

DA SÉRIE MEDITAÇÃO CRISTÃ - TEXTO 01 - UMA ORAÇÃO INTEGRADORA


MEDITAÇÃO CRISTÃ
Uma oração integradora
Um jovem perguntou ao mestre: “O que é rezar?”. E o mestre respondeu: “Rezar é experimentar Deus!”.
Ficou do mesmo jeito, na cabeça do jovem... e ai ele perguntou: “E o que é experimentar a Deus?”. E o mestre explicou: “Experimentar Deus é cheirar a Deus!”
Piorou! O nó se apertou na cabeça do jovem... e ele ousou ainda perguntar: “Mas... o que é cheirar a Deus?” foi então que o mestre contou uma parábola:
“Um dia, Deus se aproximou de uma pessoa e deu para ela um pequeno vidro, contendo a sua divindade, a sua Graça. A pessoa ficou encantada! Naquele vidro, em suas mãos, ela tinha a divindade, a graça de Deus, o próprio Deus! Ela quase não podia acreditar... e suas mãos quase não consegui tocar aquela preciosidade! Correu para casa, arrumou um fio de ouro, pendurou nele o vidro sagrado e o colocou religiosamente no pescoço, como um adorno poderoso que poderia ostentar por onde andasse.
Aconteceu depois que Deus ofereceu outro vidro igual a outra pessoa. Também ela ficou extasiada e seu coração não podia conter a sensação profunda de estar tocando a essência de Deus em suas mãos! Correu para casa e preparou um altar de rara beleza, ornou-o de pedras preciosas e quadros valiosos, acendeu velas e incenso, para aquele vidro que continha o próprio Deus pudesse ser adorado.
O mesmo vidro foi oferecido a uma terceira pessoa. O fascínio foi tão grande, que esta terceira pessoa não aguentou de curiosidade e a sua ansiedade a fez correr para o laboratório e ficou analisando aquele vidro, refletindo, tirando conclusões e elaborando discursos a respeito da natureza do vidro que continha o próprio Deus.
Uma quarta pessoa foi presenteada por Deus com um vidro igual. Também essa pessoa ficou seduzida e fascinada pelo mistério que estava tocando... mas logo, logo, esta quarta pessoa abriu o vidro, derramou em sua cabeça, respirou fundo sentiu o perfume que se derramava sobre ela... e saiu por ai, espalhando aquele perfume por onde passava”.
Cheirar Deus e cheirar a Deus. Respirar o mistério de Deus, saborear sua presença... e sair por ai espalhando o cheiro de Deus, na vida das pessoas e do mundo.
É isso a oração: cheirar Deus! E é para isso a oração: para que, inebriados pelo cheiro de Deus que sua presença experimentada em nós derramou, possamos andar por ai cheirando a Deus! Quem reza, cheira Deus e cheira a Deus!
Quem faz de Deus um objeto de ostentação pessoal, quem o coloca num altar distante de adoração estereotipada ou quem se satisfaz com análises de discursos intelectuais acerca da sua natureza... não cheira Deus e nunca poderá cheirar a Deus! Pode carregar muitos sinais externos de Deus, pode falar muito com Deus e poderá falar muitas coisas a respeito de Deus... mas não cheira Deus nem cheira a Deus!
A sede de infinito que nos perpassa, clama por Deus e não se contenta em saber sobre Deus pois, como já dizia Santo Inácio de Loyola, “não é o muito saber que sacia”.
Buscamos a experiência de Deus não para nos deliciarmos bebendo seu perfume, mas para que depois possamos espalhar o seu perfume pelo mundo onde vamos. Não cheiramos Deus para ficar com seu perfume. Cheiramos Deus para cheirar a Deus! Mas sabemos que nunca poderemos cheirar a Deus, se não cheirarmos Deus!
Ai nasce a necessidade da oração profunda, como espaço de encontro com Deus na intimidade do nosso ser, ao nível de nossa essência que se encontra e se funde na essência de Deus que encontramos, pois ele nos habita. Fomos criados à sua imagem e semelhança; temos em nós o sopro de vida que sobre nosso ser Ele insuflou para que nos tornássemos seres vivente; seu amor que nos criou, nos habita e nos sustenta e nos mantém vivos numa relação de cuidado; somos templos do Espírito de Deus... e por isso podemos encontra-lo e com ele estar em comunhão profunda, em união com o Senhor que nos faz ser! Perceber presente o Deus que está sempre presente em nós... alimentar-se dessa presença amorosa, encostar nosso coração no coração de Deu, deixar que ele seja tomado pelo amor, embebedar-se do perfume de Deus...
Temos encontrado na Meditação um meio de oração profunda, a oração do ser, um caminho que nos leva ao centro de nós mesmos, onde nos encontramos com Deus-Trindade numa relação de amor.  
Domingos Cunha. Meditação Cristã, uma oração integradora.




MOMENTO COM A PALAVRA DE DEUS 18.11.15


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas 19,11-28
Naquele tempo: 
11Jesus acrescentou uma parábola, 
porque estava perto de Jerusalém 
e eles pensavam que o Reino de Deus ia chegar logo. 
12Então Jesus disse: 
'Um homem nobre partiu para um país distante, 
a fim de ser coroado rei e depois voltar. 
13Chamou então dez dos seus empregados, 
entregou cem moedas de prata a cada um, 
e disse: 'Procurai negociar até que eu volte'. 
14Seus concidadãos, porém, o odiavam, 
e enviaram uma embaixada atrás dele, 
dizendo: 'Nós não queremos que esse homem reine sobre nós'.
15Mas o homem foi coroado rei e voltou. 
Mandou chamar os empregados, 
aos quais havia dado o dinheiro, 
a fim de saber quanto cada um havia lucrado. 
16O primeiro chegou e disse: 
'Senhor, as cem moedas renderam dez vezes mais.' 
17O homem disse: 
'Muito bem, servo bom. 
Como foste fiel em coisas pequenas, 
recebe o governo de dez cidades'. 
18O segundo chegou e disse: 
'Senhor, as cem moedas renderam cinco vezes mais'. 
19O homem disse também a este: 
'Recebe tu também o governo de cinco cidades'. 
20Chegou o outro empregado e disse: 
'Senhor, aqui estão as tuas cem moedas 
que guardei num lenço, 
21pois eu tinha medo de ti, 
porque és um homem severo. 
Recebes o que não deste e colhes o que não semeaste'. 
22O homem disse: 
'Servo mau, eu te julgo pela tua própria boca. 
Tu sabias que eu sou um homem severo, 
que recebo o que não dei e colho o que não semeei. 
23Então, porque tu não depositaste meu dinheiro no banco? 
Ao chegar, eu o retiraria com juros'. 
24Depois disse aos que estavam aí presentes: 
'Tirai dele as cem moedas e dai-as àquele que tem mil'. 
25Os presentes disseram: 
'Senhor, esse já tem mil moedas!' 
26Ele respondeu: 'Eu vos digo: 
a todo aquele que já possui, será dado mais ainda; 
mas àquele que nada tem, será tirado até mesmo o que tem. 
27E quanto a esses inimigos, 
que não queriam que eu reinasse sobre eles, 
trazei-os aqui e matai-os na minha frente'.' 
28Jesus caminhava à frente dos discípulos, 
subindo para Jerusalém. 
Palavra da Salvação. 

Os dons que temos não nos pertencem, mas sim a Deus, que é o Senhor de tudo, de modo que os dons que recebemos de Deus devem ser ordenados para ele. Sendo assim, não podemos usar os nossos dons, nem mesmo os dons naturais, somente em vista da nossa realização e da nossa promoção pessoal, mas devemos colocá-los a serviço de Deus e dos nossos irmãos e irmãs, pois somente quando o dom se transforma em serviço é que ele é capaz de multiplicar e de produzir frutos em abundância, contribuindo, assim, para que o Reino de Deus cresça cada vez mais no meio dos homens.

sábado, 14 de novembro de 2015

A VIRGEM MARIA É "A MULHER MAIS PODEROSA DO MUNDO"



National Geographic: a Virgem Maria é “a mulher mais poderosa do mundo”
Nossa Senhora. Santa Mãe. Virgem Maria. Rainha da Paz. Theotokos. Serva do Senhor. Mãe Maria. Estes são somente alguns dos títulos usados para descrever a jovem a quem o anjo apareceu há dois mil anos, com a mensagem de que ela conceberia e criaria o Salvador do Mundo.
Maria tem muito poucas palavras registradas no Novo Testamento, mas sua devoção mundial se estende através do tempo, culturas e inclusive religiões.
Em um artigo da edição do dia 8 de novembro da revista National Geographic, intitulado “Como a Virgem Maria se transformou na Mulher mais poderosa do Mundo”, Maureen Orth explora o fenômeno mundial da devoção à Mãe de Deus, antes da veiculação do especial do dia 13 de dezembro do canal National Geographic, “O Culto de Maria”.
Em seu artigo, Orth falou com estudiosos e peritos marianos e inclusive foi a peregrinações em alguns lugares de aparições marianas, para saber mais sobre “a mulher mais poderosa”.
“Vemos que a relação de Maria conosco não é qualquer relação, esta é sagrada”, disse Maria Enriqueta García, que fez sua dissertação de teologia sagrada no Instituto Internacional de Investigação Mariana na Universidade de Dayton (Estados Unidos).
A ideia de Maria como uma intercessora ante Deus vem da escritura na passagem das Bodas de Caná, quando Jesus realiza seu primeiro milagre, depois de sua mãe lhe indicar “não têm vinho”, para em seguida instruir os serventes “fazei o que Ele vos disser”.
“Desde então, nenhuma outra mulher foi tão exaltada como Maria”, escreveu Orth. “Como um símbolo universal de amor maternal, assim como de sofrimento e sacrifício, Maria normalmente é a pedra angular de nosso desejo de significado, um vínculo mais acessível dos ensinamentos sobrenaturais formais da Igreja. Seu manto oferece tanto segurança como proteção”.
Para seu artigo, Orth acompanhou os peregrinos ao redor do mundo, visitou alguns lugares onde ocorreram aparições marianas como Lourdes (França), Kibeho (Ruanda), Cidade do México e inclusive Medjugorje (Bósnia e Herzegovina), onde se diz que houve aparições embora o Vaticano ainda não tenha se pronunciado a respeito.
Em Kibeho, encontrou-se com Anathalie Mukamazimpaka, uma das jovens a quem a Virgem Maria apareceu de 1981 até 1983 com a mensagem de arrependimento e profetizou os eventos do genocídio de Ruanda, em 1994.
“A primeira vez que apareceu”, recordou Anathalie, “estava rezando o Rosário e ela me chamou pelo meu nome. Ela nunca me disse por que me escolheu. Disse que ela aparece a que ela quiser, quando e onde desejar”, contou.
“Ela nos pediu somente para amá-la tanto como ela nos ama”, assinalou.
Maria ajudou inclusive a dar identidade a uma nação, assinalou Orth, no caso de Nossa Senhora de Guadalupe com o México.
“Qualquer um que testemunhe o grande amor e devoção que os peregrinos demonstram por sua amada Mãe, nos dias da Festa de Nossa Senhora de Guadalupe, poderá perceber que a Virgem Maria está profundamente enraizada nos corações e almas mexicanas”, assinalou Orth enquanto acompanhava os peregrinos na Cidade do México, onde se conserva intacto o manto de São Juan Diego que leva a imagem milagrosa da Virgem do Guadalupe.
Assim como o Natal, os muçulmanos têm grande apreço pela Santa Maria, disse Orth, indicando que seu nome aparece mais vezes no Corão que no Novo Testamento.
“Deste modo, a Virgem Maria não é absolutamente distante para os muçulmanos”, disse o Pe. Johann Roten, diretor de investigação e projetos especiais na livraria Mariana da Universidade de Dayton.
No Egito, Orth falou com muçulmanos que foram atraídos a Igrejas devido à sua devoção à Maria.
“Sua história nos diz muitas coisas”, disse uma jovem muçulmana que rezava nos subúrbios da Igreja de Abu Serga, na Páscoa. “Ela é capaz de enfrentar muitas dificuldades em sua vida devido à sua fé, sua fé em Deus”, adicionou.

REFLEXÃO PARA O 33º DOMINGO DO TEMPO COMUM


33º DOMINGO COMUM – REFLEXÃO DAS LEITURAS
PRIMEIRA LEITURA
O autor do livro anuncia a chegada iminente do tempo da intervenção salvadora de Deus para salvar o Povo fiel. Ele refere-se à intervenção de “Miguel”, o chefe do exército celestial, que Deus enviará para castigar os perseguidores. No imaginário religioso judaico, “Miguel” é concebido como um espírito celeste (uma espécie de anjo protetor) que vela pelo Povo de Deus e opera a libertação dos perseguidos. Essa intervenção iminente de Deus irá, também, ressuscitar os que já morreram, a fim de lhes dar o prêmio pela sua vida de fidelidade ou o castigo pelas maldades que praticaram. Essa vida nova que os espera não será uma vida semelhante à do mundo presente, mas será uma vida transfigurada. É esta a esperança que deve sustentar os justos, chamados a permanecerem fiéis a Deus, apesar da perseguição e da prova. A sua vida não é sem sentido, e não está condenada ao fracasso; mas a sua constância e fidelidade serão recompensadas com a vida eterna. Começa aqui a esboçar-se a teologia da ressurreição.
A mensagem de esperança destinava-se a animar os crentes que sofriam a perseguição. É uma mensagem válida para todas as épocas e lugares. A “perseguição” por causa da fidelidade aos valores em que acreditamos é uma realidade que todos conhecemos e que faz parte da nossa existência comprometida. Hoje, essa “perseguição” nem sempre é sangrenta; manifesta-se, muitas vezes, em atitudes de marginalização ou de rejeição, em ditos humilhantes, em atitudes provocatórias, na colagem de “rótulos” (“conservadores”, “atrasados”, “fora de moda”), em julgamentos apressados e injustos, em preconceitos e oposições… Este texto garante-nos que Deus nunca abandona o seu Povo em marcha pela história e que a vitória final será daqueles que se mantiverem fiéis às propostas e aos caminhos de Deus.
 A certeza da presença de Deus a acompanhar a caminhada dos crentes, permite-nos olhar a história da humanidade com confiança e esperança. O cristão tem de ser uma pessoa alegre e confiante, que olha para o futuro com esperança.
 A certeza de que a vida não acaba na morte liberta-nos do medo e dá-nos a coragem do compromisso.
SEGUNDA LEITURA
Esta “Carta” destina-se a comunidades fragilizadas, cansadas que necessitam de redescobrir o seu entusiasmo inicial com Cristo e de apostar numa fé mais coerente e mais empenhada. Nesse sentido, o autor da “carta” apresenta-lhes o mistério de Cristo, o sacerdote por excelência, cuja missão é pôr os crentes em relação com o Pai e inseri-los nesse Povo sacerdotal que é a comunidade cristã. O objetivo é despertar no coração dos crentes uma resposta adequada ao amor de Deus, manifestado na ação de Jesus.
Os “sacrifícios pelo pecado tinham a função de expiar os pecados do Povo e de refazer a comunhão entre os crentes e Deus. Ao oferecer, sobre o altar do Templo, a vida de um animal, o crente pedia a Jahwéh perdão pelo pecado, manifestava a sua intenção de continuar a pertencer à comunidade de Deus e mostrava a sua vontade de reatar essa relação com Deus que o pecado tinha interrompido. O autor da Carta aos Hebreus está convencido que os sacrifícios oferecidos pelo pecado não eram eficazes e não conseguiam restabelecer essa comunhão entre o Povo e Deus. Tratava-se de ritos externos e superficiais, que nunca lograram transformar os corações duros e egoístas dos homens em corações capazes de viverem no amor a Deus e aos irmãos. Jesus, no entanto, com a entrega da sua vida, conseguiu concretizar esse objetivo de aproximar os homens de Deus. Ele obedeceu a Deus em tudo e ofereceu a sua vida em dom de amor aos homens. Com o seu exemplo e testemunho, Ele propôs aos homens um caminho novo, mudou os seus corações e ensinou-os a viverem numa total disponibilidade para com os projetos de Deus, na entrega total aos irmãos. Dessa forma, Jesus venceu a lógica do egoísmo e do pecado e colocou os homens no caminho certo para integrarem a família de Deus. O sacrifício de Jesus, oferecido de uma só vez, libertou os homens de uma dinâmica de egoísmo e de pecado e permitiu-lhes aproximarem-se de Deus com um coração renovado. Assim, ele “tornou perfeitos para sempre os que são santificados”. Cumprida a sua missão na terra, Jesus “sentou-se para sempre à direita de Deus”. Esta imagem de triunfo e de glória mostra, não apenas como o caminho percorrido por Cristo é um caminho que tem a aprovação de Deus mas, sobretudo, qual é a “meta” final da caminhada do homem: a pertença à família de Deus. Se o caminho da fidelidade aos projetos de Deus levou Jesus a sentar-Se à direita do Pai, também aqueles que seguem Jesus chegarão à mesma meta e sentar-se-ão à direita de Deus. Desta forma, o autor da Carta aos Hebreus exorta os cristãos a viverem na fidelidade aos compromissos que assumiram com Cristo no dia do seu Batismo. Quem percorre o mesmo caminho de Cristo, está destinado a sentar-se “à direita de Deus” e a viver em comunhão com Deus.
EVANGELHO
É um “discurso escatológico” (cf. Mt 13,3-37). É um texto difícil, que emprega imagens e linguagens marcadas pelas alusões enigmáticas, bem ao jeito do gênero literário “apocalipse”. Não é uma reportagem jornalística de acontecimentos concretos, mas uma leitura profética da história humana. O seu objetivo é dar aos discípulos indicações acerca da atitude a tomar frente aos acontecimentos que marcarão a caminhada histórica da comunidade, até ao momento em que Jesus vier para instaurar o novo céu e a nova terra. A missão que Jesus (que está consciente de ter chegado a sua hora de partir ao encontro do Pai) confia à sua comunidade não é uma missão fácil. Jesus está consciente de que os seus discípulos terão que enfrentar as dificuldades, as perseguições. Essa comunidade necessitará de estímulo. É por isso que surge este apelo à fidelidade, à coragem, à vigilância… No horizonte último da caminhada, Jesus coloca o final da história humana e o reencontro definitivo dos discípulos com Jesus. O “discurso escatológico” anuncia a vinda definitiva do Filho do Homem e o nascimento de um mundo novo.
Em Is 13,10, o obscurecimento do sol, da lua e das estrelas anuncia o dia da intervenção justiceira de Jahwéh para destruir o império babilônico e para libertar o Povo de Deus exilado numa terra estrangeira. Ora, é esta linguagem que Marcos vai utilizar para descrever a falência dos impérios que lutam contra Deus e contra os seus santos. Trata-se de uma linguagem tradicional para os  leitores de Marcos. No mundo grego o sol e a lua (“Élios”, e “Selénê”) eram adorados como deuses; e, no mundo romano, o imperador identificava-se como “o sol” (Nero, imperador de Roma, fez erigir no palácio imperial uma estátua de bronze com trinta metros de altura que o representava como o deus “sol”). A mensagem é evidente: está para acontecer uma virada na história; a velha ordem religiosa e política, os poderes que se opõem a Deus e que perseguem os santos, irão ser derrubados, a fim de darem lugar a um mundo novo, construído de acordo com os critérios e os valores de Deus. Marcos não se refere, aqui, àquilo que nós costumamos chamar “o fim do mundo”; mas refere-se, genericamente, à vitória de Deus sobre o mal.
A queda desse mundo velho aparece associada à vinda do Filho do Homem. A imagem leva-nos a Dn 7,13-14, onde se anuncia a vinda de um “Filho do Homem” “sobre as nuvens do céu” para afirmar a sua soberania sobre “todos os povos”. O “Filho do Homem, cheio de poder e de glória, que virá “reunir os seus eleitos”, não pode ser outro senão Jesus. Com esta imagem, Marcos assegura o triunfo de Cristo sobre os poderes opressores e a libertação daqueles que continuaram a percorrer com fidelidade os caminhos de Deus.
A mensagem proposta por Marcos é clara: espera-vos um caminho de sofrimento e perseguição; no entanto, não vos deixeis afundar no desespero porque Jesus vem. Com a sua vinda gloriosa, cessará a escravidão e nascerá um mundo novo, de alegria e de felicidade plenas. O quadro destina-se não a amedrontar, mas a abrir os corações à esperança: quando Jesus vier com a sua autoridade soberana, o mundo velho do egoísmo e da escravidão cairá e surgirá o dia novo da salvação/libertação sem fim.
Na segunda parte do nosso texto (28-32), Jesus responde à questão posta pelos discípulos: “Diz-nos quando tudo isto acontecerá e qual o sinal de que tudo está para acabar”.
Para Jesus, mais importante do que definir o tempo exato da queda do mundo velho é ter confiança na chegada do mundo novo e estar atento aos sinais que o anunciam. O aparecimento nas figueiras de novos ramos e de novas folhas acontece, sem falhas, cada ano e anuncia ao agricultor a chegada do Verão e do tempo das colheitas; da mesma forma, os crentes são convidados a esperar, com confiança, a chegada do mundo novo e a perceber, nos sinais de desagregação do mundo velho, o anúncio de que o tempo da sua libertação está chegando. Certos da vinda do Senhor, atentos aos sinais que O anunciam, os crentes podem preparar o seu coração para O acolher, para aceitar os desafios que Ele traz, para agarrar as oportunidades que Ele oferece.
Não há uma data marcada para o advento dessa nova realidade. De uma coisa os crentes podem estar certos: as palavras de Jesus são a garantia de que esse mundo novo, de vida plena e de felicidade sem fim, irá surgir.
A guerra, a opressão, a injustiça, a miséria, a escravidão, o egoísmo, a exploração, o desprezo pela dignidade do homem atingem-nos. Feridos e humilhados, duvidamos de Deus, da sua bondade, do seu amor, da sua vontade de salvar o homem. A Palavra de Deus hoje nos abre a porta à esperança. Reafirma que Deus não abandona a humanidade e está determinado a transformar o mundo do egoísmo e do pecado num mundo novo de vida e de felicidade para todos os homens. A humanidade não caminha para a destruição; mas caminha ao encontro da vida plena, ao encontro desse mundo novo.
Deus tem um projeto de vida para o mundo e os Cristãos têm de ser testemunhas da esperança. Eles vêem os momentos de tensão e de luta como sinais de que o mundo velho irá ser transformado e renovado, até surgir um mundo novo e melhor. Para o cristão, não faz qualquer sentido deixar-se dominar pelo medo, pelo pessimismo, pelo desespero. O mundo tem de ver em nós gente a quem a fé dá uma visão otimista da vida e da história e que caminha ao encontro desse mundo novo que Deus nos prometeu.
É Deus, o Senhor da história, que irá fazer nascer um mundo novo; contudo, Ele conta com a nossa colaboração desse projeto. Os cristãos não podem ficar de braços cruzados à espera que o mundo novo caia do céu; mas são chamados a anunciar e a construir, com a sua vida, com as suas palavras, com os seus gestos, esse mundo que está nos projetos de Deus. Isso implica um processo de conversão que nos leve a suprimir em nós e nos outros, o egoísmo, o orgulho, a prepotência, a exploração, a injustiça (mundo velho); isso implica, também, testemunhar com gestos concretos, os valores do mundo novo – a partilha, o serviço, o perdão, o amor, a fraternidade, a solidariedade, a paz.
Deus não abandona os homens na sua caminhada histórica. Da nossa parte, precisamos estar atentos à sua proximidade e reconhecê-lo nos sinais da história, no rosto dos irmãos, nos apelos dos que sofrem e que buscam a libertação. O cristão não pode fechar-se no seu canto e ignorar Deus, os seus apelos e os seus projetos; mas tem de estar atento e de notar os sinais através dos quais Deus Se dirige aos homens e lhes aponta o caminho do mundo novo.
É preciso, ainda, ter presente que este mundo novo nunca será uma realidade plena nesta terra. O mundo novo sonhado por Deus é uma realidade escatológica, cuja plenitude só acontecerá depois de Cristo ter destruído definitivamente o mal que nos torna escravos.


quinta-feira, 12 de novembro de 2015

A MENSAGEM CRISTÃ


No evangelho da vigília pascal, encontramos em primeiro lugar as mulheres que vão ao sepulcro de Jesus levando perfumes para ungir o corpo Dele. Elas vão cumprir um gesto de piedade, de afeto, de amor, um gesto tradicionalmente feito a um ente querido falecido, como nós também fazemos. Elas tinham seguido Jesus, ouviram-no, sentiram-se compreendidas na sua dignidade e acompanharam-no até o fim no Calvário e no momento em que desceram o seu corpo da cruz.  Podemos imaginar os sentimentos delas enquanto caminham para o túmulo: tanta tristeza, tanta pena porque Jesus as deixara, morrera, sua história terminara. Agora voltavam à vida que tinham antes. Contudo, nas mulheres, continuava o amor, e foi o amor por Jesus que as impelira a ir ao sepulcro. Mas, chegadas lá, verificam algo totalmente inesperado, algo de novo que lhes transforma o coração e seus planos e subverterá a sua vida: veem a pedra removida do sepulcro, aproximam-se e não encontram o corpo do Senhor: O caso deixa-as perplexas, hesitantes, cheias de interrogações: “Que aconteceu?” “Que sentido tem tudo isso?” Porventura não se dá o mesmo também conosco, quando acontece qualquer coisa de verdadeiramente novo na cadência diárias das coisas? Paramos, não entendemos, não sabemos como enfrentá-la. Frequentemente temos medo da novidade, incluindo a novidade que Deus nos traz, a novidade que Deus nos pede. Fazemos como os apóstolos, no evangelho: muitas vezes preferimos manter as nossas seguranças, parar junto de um túmulo, com o pensamento num defunto que, no fim das contas, vive só na memória da história, como as grandes figuras do passado. Tememos as surpresas de Deus. Queridos irmãos e irmãs, na nossa vida, temos medo das surpresas de Deus! Ele não cessa de nos surpreender! O Senhor é assim.
Irmãos e irmãs, não nos fechemos à novidade que Deus quer trazer à nossa vida! Muitas vezes sucede que nos sentimos cansados, desiludidos, tristes, sentimos o peso dos nossos pecados, pensamos que não conseguiremos. Não nos fechemos em nós mesmos, não percamos a confiança, não nos demos jamais por vencidos: não há situação que Deus não possa mudar; não há pecado que não possa perdoar, se nos abrirmos a Ele.
Mas voltemos ao evangelho, às mulheres, para vivermos mais um ponto. Elas encontram o túmulo vazio, o corpo de Jesus não estava lá. Algo de novo acontecera, mas ainda nada de claro resulta de tudo aquilo: ele levanta questões, as deixa perplexas, sem oferecer uma resposta. E eis que aparecem dois homens em trajes resplandecentes, dizendo: “Por que buscais o Vivente entre os mortos? Não está aqui; ressuscitou!” e aquilo que começara com um simples gesto, certamente cumprido por amor – ir ao sepulcro – transforma-se em acontecimento, e num acontecimento tal que muda verdadeiramente a vida. Nada mais permanece como antes, e não só a vida daquelas mulheres, mas também na nossa vida e na nossa história da humanidade. Jesus não é um morto, ressuscitou, é o vivente! Não regressou simplesmente à vida, mas é a própria vida, porque é o Filho de Deus, que é o vivente. Jesus já não está no passado, mas vive no presente e lança-se para o futuro; Jesus é o hoje eterno de Deus. Assim se apresenta a novidade de Deus diante dos olhos das mulheres, dos discípulos, de todos nós: a vitória sobre o pecado, sobre o mal, sobre a morte, sobre tudo que oprime a vida e lhe dá um rosto menos humano. E isso é uma mensagem dirigida a mim, a ti, amada irmã, a ti, amado irmão. Quantas vezes precisamos que o amor nos diga: por que buscais o Vivente entre os mortos? Os problemas, as preocupações de todos os dias tendem a nos fechar em nós mesmos, na tristeza, na amargura... e ai está a morte. Não procuremos ai o Vivente!
Aceita então que Jesus ressuscitado entre na tua vida, acolhe-O como amigo, com confiança: Ele é vida! Se até agora estivesse longe Dele, basta que tomes um pequeno passo e Ele te acolherá de braços abertos. Se fores indiferente, aceita arriscar: não ficarás desiludido. Se te parece difícil segui-Lo, não tenhas medo, te entrega a Ele, podes estar seguro de que Ele está perto de ti, está contigo e te dará a paz que procuras e a força para vier como Ele quer.

[Papa Francisco. A Igreja da misericórdia].   



quarta-feira, 11 de novembro de 2015

A LUZ DA FÉ



Por isso, urge recuperar o caráter de luz que é próprio da fé, pois, quando a sua chama se apaga, todas as outras luzes acabam também por perder o seu vigor. De fato, a luz da fé possui um caráter singular, sendo capaz de iluminar toda a existência do homem. Ora, para que uma luz seja tão poderosa, não pode brotar de nós mesmos; tem que vir de uma fonte mais originária, deve provir, em última análise, de Deus. A fé nasce no encontro com o Deus vivo, que nos chama e revela seu amor. Amor que nos precede e sobre o qual podemos nos apoiar para construir solidamente a vida. Transformados por esse amor, recebemos olhos novos e experimentamos que há neles uma grande promessa de plenitude e nos abre a visão de futuro. A fé, que recebemos de Deus como dom sobrenatural, aparece-nos como luz para a estrada, orientando os nossos passos no tempo. Por um lado, provem do passado: é luz de uma memória basilar – a da vida de Jesus -, onde o seu amor se manifestou plenamente confiável, capaz de vencer a morte. Mas, por outro lado e ao mesmo tempo, dado que Cristo ressuscitou e nos chama de além morte, a fé é luz que vem do futuro, que abre diante de nós horizontes grandes e nos leva a ultrapassar o nosso “eu” isolado abrindo-o à plenitude da comunhão. Desse modo, compreendemos que a fé não mora na escuridão, mas é uma luz para as nossas trevas.
A luz do amor, própria da fé, pode iluminar as perguntas do nosso tempo acerca da verdade. Muitas vezes, hoje, a verdade é reduzida à autenticidade subjetiva do indivíduo, válida apenas para a vida individual. Uma verdade comum nos dá medo, porque a identificamos com a imposição intransigente dos totalitarismos; mas, se ela é a verdade do amor, se é a verdade que se mostra no encontro pessoal com o outro e com os outros, então fica livre da reclusão do indivíduo e pode fazer parte do bem comum. Sendo a verdade de um amor, não é verdade que se impõe pela violência, não é verdade que esmaga o indivíduo. Nascendo do amor pode chegar ao coração, ao centro pessoal de cada homem. Daqui resulta claramente que a fé não é intransigente, mas cresce na convivência que respeita o outro. A pessoa que tem fé, não é arrogante, pelo contrário, a verdade o torna humilde, sabendo que, mais do que possui-la, é ela que nos abraça e possui. Longe de nos endurecer, a segurança da fé nos põe a caminho e torna possível o testemunho e diálogo com todos.


LEITURA ORANTE 11.11.15



Evangelho - Lc 17,11-19
Não houve quem voltasse para dar glória
a Deus, a não ser este estrangeiro.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 17,11-19
11Aconteceu que, caminhando para Jerusalém,
Jesus passava entre a Samaria e a Galiléia.
12Quando estava para entrar num povoado,
dez leprosos vieram ao seu encontro.
Pararam à distância,
13e gritaram: 'Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!'
14Ao vê-los, Jesus disse:
'Ide apresentar-vos aos sacerdotes.'
Enquanto caminhavam, aconteceu que ficaram curados.
15Um deles, ao perceber que estava curado,
voltou glorificando a Deus em alta voz;
16atirou-se aos pés de Jesus, com o rosto por terra,
e lhe agradeceu.
E este era um samaritano.
17Então Jesus lhe perguntou:
'Não foram dez os curados?
E os outro nove, onde estão?
18Não houve quem voltasse para dar glória a Deus,
a não ser este estrangeiro?'
19E disse-lhe: 'Levanta-te e vai! Tua fé te salvou.'
Palavra da Salvação.

As pessoas escutaram falar de Jesus, esse é o primeiro passo de proximidade da pessoa de Jesus. O mestre os acolhe em suas necessidades, mais uma vez movido de compaixão. Em sintonia com os costumes judaicos manda-os se apresentarem ao sacerdote, manda-os caminhar até o sacerdote. Esse é o segundo passo do processo, caminhar atendendo a ordem de Jesus. Nesse processo de caminhada eles ficam curados; o evangelista nos narra esse episódio com uma sutileza maravilhosa “um deles, ao perceber que estava curado voltou glorificando a Deus”. Talvez aqui encontramos o terceiro passo do processo de adesão verdadeira a pessoa Jesus, ou seja, uma adesão a Jesus especialmente pelo dom da gratidão.  
Vamos sintetizar um pouco mais esses passos na vida de intimidade com a pessoa de Jesus: Em primeiro lugar a proximidade de Jesus. Seja por um ouvir falar, seja por meio de uma indicação de alguém, o certo é que um dia chegou aos nossos ouvidos o nome de Jesus; O segundo passo é atender o pedido de Jesus de desinstalar-se, de sair de si mesmo, de abandonar o comodismo e se pôr a caminhar. Realmente só pode crescer na vida de fé quem se desinstala, quem sai de si mesmo e se põe a caminhar; O terceiro passo, fortificar as relações [a relação com o Senhor] por meio do dom da gratidão.  
Percebamos nessa liturgia de hoje que se nos faltar um desses passos na caminhada de fé a missão ficará defeituosa, a fé ficará meio manca, nos faltará algo que complemente nossa relação de intimidade com O senhor.
O evangelho de hoje é muito profundo para nossa caminhada de leitura orante com a Palavra de Deus. Dez sentiram a necessidade de ser curados, porém realizado o sonho, nove se detiveram em gozar, satisfeitos, a partir do benefício recebido de Jesus. Somente um sentiu a necessidade de passar além, foi o único disponível ao dom da salvação na fé, porque sentiu que “faltava algo”, teve um suplemento de inquietação, lhe faltava algo, lhe faltava voltar e agradecer.
Além de tudo que refletimos nesse trecho do evangelho nos fica ainda uma boa indicação para o dia de hoje. Você já parou para agradecer hoje a Deus por tantas graças que ele te concede...Eu sei, eu sei, mesmo nas tuas dificuldades, mesmo nos teus desafios do dia a dia, e eu seu que você tem desafios fortes...mesmo diante de tudo isso, você já parou hoje para agradecer a Deus, agradecer pelo dom da vida, agradecer pela força que ele te dá para seguir em frente, agradecer pelos teus amigos verdadeiros que sempre te indicam o caminho a seguir. Como é bom irmãos e irmãs ser grato ao Senhor, como é bom trazer o dom da gratidão no coração. Além disso, podemos assumir o compromisso de sermos mais gratos aos outros, especialmente aqueles que estão mais próximos. Não deixe que a estressante rotina do seu dia a dia impeça de ser grato. Manifeste gratidão no dia de hoje e sinta uma enorme paz tomar conta de tua vida.

Um dia maravilhoso e abençoado a todos!